Minha wishlist (2018)

The ruby stands for nobility.

Dezembro chegou, logo mais é Natal… Por que não trazer aqui a minha wishlist de livros? Vai que acontece algum milagre natalino…

Brincadeira à parte, vou contar para vocês quais são os meus livros que estão nos meus desejados do Skoob:

  • A bibliotecária de Auschwitz – Antonio G. Iturbe (R$32,66);
  • Nick e Norah: uma noite de amor e música – Rachel Cohn e David Levithan (R$32,80);
  • Malas, Memórias e Marshmallows – Fernanda França (R$24,90);
  • Contos Russos III – da Martin Claret (R$16,90);
  • O Mago e o Guerreiro – Diogo Ramos (R$5,99 – ebook);
  • A garota que bebeu a lua – Kelly Barnhill (R$29,90);
  • Céu sem estrelas – Iris Figueiredo (R$28,03);
  • A redoma de vidro – Silvia Plath (R$23,60);
  • Três é demais – Ali Cronin (R$22,90);
  • Correndo descalça – Amy Harmon (R$23,90);
  • Heroínas – Laura Conrado, Pam Gonçalves e Ray Tavares (R$20,99);
  • Vocação para o mal – Robert Galbraith (R$22,90);
  • O caçador de pipas – Khaled Hosseini (R$26,90);
  • O tatuador de Auschwitz – Heather Morris (R$22,45);
  • Sonata em Auschwitz – Luize Valente (R$34,85);
  • Meu menino vadio – Luiz Fernando Vianna (R$19,90).

Só com essa lista eu já consegui garantir diversão pelos próximos seis meses! hahahaha

E vocês, que livros gostariam de ganhar neste final de ano?

[Só lembrando que você, leitor, pode me dar um presente de Natal: basta comprar qualquer um dos livros aí de cima pelos links que eu coloquei. Vocês não pagam nada a mais, mas eu ganho uma pequena porcentagem da venda!]

Assinatura

 

Anúncios

Linha Tênue – Alfer Medeiros (org.)

Título: Linha tênue - contos sobrenaturais, de suspense e de terror
Organizador: Alfer Medeiros
Editora: Andross
Páginas: 191
Ano: 2017 (1º edição)

20181123_092743_11914343112.jpg

Se você não se importa de começar a duvidar da própria sanidade e adora contos de arrepiar, recomendo Linha tênue que, além de tudo, traz textos escritos por brasileiros que ainda podem ir muito longe.

Ao todo são 34 contos carregados de tensão, medo, bizarrices, mortes. E é impressionante como as histórias não são nem um pouco repetitivas, cada autor escolhendo um caminho totalmente diferente do outro. Também é interessante perceber como alguns dos elementos de terror são metáforas para sentimentos que podemos ter ao longo de nossas vidas, ou situações difíceis que podemos vivenciar.

Abaixo, trarei o título de todos os contos (em ordem) e comentários sobre alguns deles.

1. As crianças do Pandiá Calógeras

Sobre esse conto eu gostaria de destacar que ele me lembrou um pouco Extraordinário, ao retratar o primeiro dia de uma criança em uma nova escola. Além disso, há uma passagem que é basicamente o que o pai de August diz sobre a ida do filho à escola:

“Nesse momento eu tive a certeza de saber como um boi se sente quando vai para o abatedouro”

Linha tênue – p.12

O final desse conto é bem aberto e chocante. Ainda mais porque é o primeiro conto do livro e ainda estamos nos ambientando ao tipo de narrativa que encontraremos pela frente.

2. Banquete

3. Edward

4. Doce liberdade

Esse conto achei um pouco confuso e, ao mesmo tempo, extremamente assustador. Se bem que praticamente todos tem algo de realmente assustador!

5. Marina

Novamente fazendo relações literárias, esse conto me lembrou muito a história de Vitor, de Os quase completos. Acho que com essa passagem dá até para ter uma ideia:

“Várias pessoas já me disseram para seguir com a minha vida, mas não consigo”

Linha tênue – p.33

6. Eu vim conversar

Achei esse conto bem descritivo, mas sem ser chato!

7. O último dia

Esse eu achei muito bacana, pois fala de bullying.

“E ele sentia medo. E o medo crescia em seu peito, como uma erva daninha, dominando-o, e quando a sua mente infantil despertou para a maturidade sofrida e forçada, ele compreendeu do que era feito o mundo: maldade”

Linha tênue – p.50

8. Aqueles que ficam

Esse é bem macabro também e, ao mesmo tempo, bem interessante.

“Às vezes perdemos parte de nós pelos caminhos obscuros que a vida toma, uma parte grande demais para recompor”

Linha tênue – p.53

9. Surto

10. O choro da andorinha

Um conto bem obscuro e triste.

“Qualquer lugar era melhor que aquele lugar”

Linha tênue – p.68

11. O último capítulo

12. Villani

Um daqueles contos que deixam um imenso “o que????” na nossa cabeça.

13. Tumba decrépita

14. O ranger do assoalho

Esse aqui é digno de filme de terror, bem bacana!

15. Não olhe para trás

16. We are programmed to receive

17. O livro das trevas

18. A mochila

Mais um conto sobre bullying, mas bem diferente do anterior. Gostei muito desse aqui.

“Deixava a minha irmã em sua creche, e ia para a minha escola. Chegava lá e me enfrentava com meu maior defeito da juventude: Minha péssima situação econômica”

Linha tênue – p.103

19. Submundo de um ritual

20. Dias obscuros

21. Memórias

22. O último conto

Gostei da forma como esse conto trabalha a questão do bloqueio criativo.

23. O demônio do canto

24. O quarto dos panos negros

25. Julgamento

Esse foi um dos contos mais marcante para mim, pois fala sobre transtornos mentais de maneira inicialmente metafórica, para então nos mostrar do que realmente se trata.

26. Inferno particular

27. Mentes peculiares

Achei esse conto mais poético que os outros e me surpreendi com o fato de ser possível esse lirismo mesmo em histórias macabras.

28. Por amor a você

29. Refém

Gostei do plot twist dessa narrativa. E o final é aberto também.

30. Bárbara dos Prazeres

31. O doce gosto da impiedade

32. A dança das almas

33. O silêncio das respostas

34. O monolito fálico

Para fechar o livro com mais um enorme “que???”.

Assinatura

Resumão – Novembro

Resumão - Novembro

Impressão minha ou novembro passou voando? Socorro!

A primeira postagem de novembro foi o Citações #15, com passagens de La sposa giovane. Na semana seguinte postei a resenha de O andar do bêbado e as Citações #16, de I pesci non chiudono gli occhi. Na terceira semana de novembro, postei a resenha de Allegro em hip-hop e as citações #17, de Os quase completos. Depois, foi a vez da resenha de Juncos ao Vento e das Citações #18, de Allegro em hip-hop. Por fim, resolvi estrear um novo tipo de post por aqui, com a música Como nossos pais.

As (poucas) leituras de novembro foram:

  • Juncos ao vento (Grazia Deledda);
  • Linha tênue (org. Alfer Medeiros).

Minhas recomendações de livros foram:

      • Noturnos (Kazuo Ishiguro) – R$38,90
      • Os quase completos (Felippe Barbosa) – R$26,90
      • A arte de ler (Michèle Petit) – R$36,70
      • Persépolis (Marjane Satrapi) – R$43,90
      • Maus (Art Spiegelman) – R$47,90
      • O diário de Anne Frank (Anne Frank) – R$14,30
      • A mala de Hana (Karen Levine) – R$32,97
      • O menino do pijama listrado (John Boyne) – R$34,30
      • É isto um homem? (Primo Levi) – R$19,90
      • Os bebês de Auschwitz (Wendy Holden) – R$21,90

E esse mês também indiquei alguns passeios culturais, como você pode conferir no Tatianices recomenda [5].

  • Assinatura

Como nossos pais – Belchior

Como nossos pais

Hoje dou início a mais um tipo de post por aqui: comentários e/ou um pouco da história por trás das músicas que eu mais gosto. Começo com “Como nossos pais”, porque essa música  — não à toa — ecoou dias e dias em minha cabeça.

A música que ficou famosa na voz de Elis Regina, foi composta e lançada por Belchior, no álbum “Alucinação”, de 1976. Elis Regina a gravou no mesmo ano, em seu álbum “Falso Brilhante”.

Não quero lhe falar, 
Meu grande amor, 
Das coisas que aprendi 
Nos discos
Quero lhe contar como eu vivi 
E tudo o que aconteceu comigo

1976, o ano que não terminou. O ano em que “misteriosamente” dois populares ex-presidentes morreram em menos de 4 meses: Juscelino Kubitschek em 23 de agosto e João Goulart em 6 de dezembro.

Viver é melhor que sonhar 
Eu sei que o amor 
É uma coisa boa 
Mas também sei 
Que qualquer canto 
É menor do que a vida 
De qualquer pessoa

1976, o ano que antecedeu golpes ainda maiores à democracia brasileira (em 1977 Geisel chegou a fechar o Congresso Nacional), que já sofria desde 1964, quando os anos de chumbo começaram. E foi em 1976 que Castello Branco tornou as eleições para governador indiretas e os prefeitos passaram a ser escolhidos pelos governadores (já imaginaram a beleza disso, não?).

Como nossos pais retrata a desilusão que boa parte da juventude brasileira sentia naqueles anos tão sombrios. E olha que a música foi lançada um ano antes de grandes conflitos entre polícia e estudantes.

Por isso cuidado meu bem 
Há perigo na esquina 
Eles venceram e o sinal 
Está fechado para nós 
Que somos jovens
Para abraçar seu irmão 
E beijar sua menina na rua 
É que se fez o seu braço, 
O seu lábio e a sua voz

Mesmo diante de um cenário tão difícil, porém, a música ainda consegue trazer certo ar de esperança. Acho que esse foi um dos principais motivos pelos quais a deixei repetindo sem parar em minha mente.

Você me pergunta 
Pela minha paixão 
Digo que estou encantada 
Como uma nova invenção 
Eu vou ficar nesta cidade 
Não vou voltar pro sertão 
Pois vejo vir vindo no vento 
Cheiro de nova estação 

E como já deu para notar em algumas passagens anteriores, a  música também fala de amor. Afinal, falar de juventude e não falar de amor é uma missão quase impossível, não?

Já faz tempo 
Eu vi você na rua 
Cabelo ao vento 
Gente jovem reunida 
Na parede da memória 
Essa lembrança 
É o quadro que dói mais

O que mais me impressiona em Como nossos pais é o fato de que ela é ainda tão atual, outro motivo pelo qual a repeti incessantemente durante o período das eleições. Ela me parece uma alerta, um pedido para que possamos abrir nossos olhos. E, novamente, ela nos dá vontade de ter fé que as coisas podem ser melhores. É isso que esperamos, não?

Minha dor é perceber 
Que apesar de termos 
Feito tudo o que fizemos 
Ainda somos os mesmos 
E vivemos 
Ainda somos os mesmos 
E vivemos 
Como os nossos pais

Nossos ídolos 
Ainda são os mesmos 
E as aparências 
Não enganam não 
Você diz que depois deles 
Não apareceu mais ninguém 
Você pode até dizer 
Que eu estou por fora 
Ou então 
Que eu estou inventando

Mas é você 
Que ama o passado 
E que não vê 
É você 
Que ama o passado 
E que não vê 
Que o novo sempre vem

Mas mesmo tendo trechos de esperança e de amor, Como nossos pais também fala sobre imobilidade, sobre impotência. Uma música que consegue englobar também aqueles que desistiram de lutar por um bem maior e passaram a lutar por um bem próprio: a segurança e o acúmulo de dinheiro.

Hoje eu sei 
Que quem me deu a ideia 
De uma nova consciência 
E juventude 
Tá em casa 
Guardado por Deus 
Contando vil metal

Assinatura

Tatianices recomenda [5]

Exposição, teatro e livros

Quem conhece São Paulo sabe que esta é uma cidade cheia de oportunidades culturais para todos os gostos e, por isso, decidi trazer para vocês algumas das coisas que aproveitei nos últimos dias (ou que ainda vou aproveitar) e que realmente valeram a pena. E tem dica para todos os bolsos!

A primeira dica é a exposição A biblioteca à noite, que está em cartaz até dia 10 de fevereiro de 2019, no Sesc Paulista. A exposição é gratuita, sendo necessário somente um agendamento prévio.

Essa exposição foi inspirada no livro de mesmo nome do escritor Alberto Manguel. E vou confessar que a exposição me deixou extremamente curiosa para ler essa obra! Mas não é só por isso que recomendo esse passeio cultural: a exposição começa com um cenário lindo e inspirador e, depois, por meio de realidade virtual, podemos conhecer diversas bibliotecas pelo mundo! É um “passeio” extremamente agradável e encantador.

Minha segunda dica é a peça de teatro Doze homens e uma sentença, em cartaz no Teatro da USP (TUSP) até o dia 16/12/2018. Apesar de representar uma cena tipicamente Norte Americana, em uma sala de júri, a peça traz muito do Brasil, com críticas bem interessantes à sociedade.

12 homens estão fechados em uma sala e precisam, de maneira unânime, decidir o destino de um jovem de 16 anos, acusado de matar o próprio pai. Cada um desses homens possui a sua história, seus jeitos e seus motivos para escolher entre “inocente” e “culpado”.

A peça é encenada às quintas, sextas, sábados e domingos e o ingresso custa R$40,00 (inteira) ou R$20,00 (meia) e o pagamento deve ser em dinheiro ou cartão de débito. A duração da peça é de 100 minutos e recomendo que vocês a assistam na primeira fileira (os lugares não são marcados).

Por fim, minha terceira dica é de algo que acontece essa semana e é um evento muito aguardado pelos leitores vorazes: a Festa do Livro da USP, que esse ano chega à sua 20º edição. Cerca de 200 editoras participam desse evento, vendendo seus livros com pelo menos 50% de desconto (sim, cinquanta por cento!). A entrada na festa é gratuita (mas você pode sair falido de lá) e a edição deste ano irá durar 4 dias: de quarta a sábado.

Uma conselho de amiga: veja antes de ir as editoras que vão participar, a localização delas, os livros que estarão disponíveis. Isso pode tornar seu passeio mais rápido e menos estressante e você pode até controlar melhor seus gastos! Para todas esses informações, basta acessar o site do evento: https://paineira.usp.br/festadolivro/?page_id=1089

E vocês o que andam fazendo de bom??

Assinatura

Citações #18

allegro citações

Mesmo escrevendo uma resenha imensa, deixei muitas passagens de Allegro em hip-hop de fora. O livro de Babi Dewet, lançado no Brasil em 2018, pela editora Gutenberg, mexeu muito com meu coração.

O fato da música estar sempre presente nas histórias da Babi é algo que me encanta, porque eu sempre achei que essa arte é muito importante em nossas vidas, devido ao fato de mexer com nosso emocional:

“Música tinha esse poder de reviver memórias e sentimentos que às vezes ele só queria ignorar” (p.35)

E a mistura entre música e sentimento, aliás, aparece em diversos momentos do livro:

“Tinha sido machucada recentemente, mas naquele momento ela só conseguia se lembrar do quanto amava Tchaikovsky e tudo de bom que sentia quando ouvia suas melodias” (p.247)

Os sentimentos ganham lugar de destaque nessa história, que traz como protagonista uma jovem com ansiedade.

“Aprender coreografias era fácil perto de entender seus próprios sentimentos” (p.251)

Como eu disse em minha resenha, porém, essa jovem tem a sorte de contar com pessoas incríveis, dispostas a ajudá-la. Uma dessas pessoas é Vitor:

“Vitor sempre aparecia nos piores momentos e estendia a mão para ajudá-la” (p.123)

Confesso que gostei muito dessa passagem por ter me identificado demais com ela. Meu namorado também chama Vi(c)tor e sempre me estendeu a mão nos piores momentos. Bem como nos melhores.

O Vitor de Allegro em hip-hop aliás, me lembrou muito o “meu” Victor e isso me encheu ainda mais de amor por esse livro incrível.

Mas o ponto alto de toda essa história é a lição que fica ao final:

“A vida não era sobre ser a melhor de todas. Era sobre ser feliz” (p.314)

Assinatura

Juncos ao vento – Grazia Deledda

Título: Juncos ao vento
Original: Canne al vento
Autor: Grazia Deledda
Editora: Carambaia
Páginas: 224
Ano: 2015 (1º edição)
Tradutor: Maria Augusta Mattos

Antes de mergulhar na leitura de Juncos ao vento propriamente dito, nos deparamos com um esclarecedor ensaio escrito por Maria Teresa Arrigoni. Foi ali que descobri o quão importante na literatura italiana foi Grazia Deledda e como nós, brasileiros, pouco sabemos sobre isso.

Grazia Deledda foi a segunda mulher a receber um Nobel de Literatura e foi justamente com Juncos ao Vento que isso ocorreu, em 1926. Não é a toa, também, que Grazia é um dos principais nomes da literatura italiana do século XX. Me pergunto como não estudamos isso nas aulas de literatura italiana da faculdade (eu fiz Letras português e italiano e, portanto, estudei diversos nomes da literatura italiana, mas jamais Grazia Deledda).

É ainda mais espantoso pensarmos que Juncos ao Vento não figura entre leituras obrigatórias de um curso de italiano quando percebemos a sua riqueza: a obra apresenta uma pequena província Sarda — Nuoro — utilizando muito de suas características físicas e culturais para discutir questões humanas. A natureza, aliás, é de extrema importância ao longo de toda a obra, estando sempre muito ligada aos acontecimentos e sentimentos da narrativa.

Além disso, o personagem principal de Juncos ao Vento é um servo negro — Efix —, que desempenha o papel de um sábio, sendo uma figura muito importante para as mulheres da família Pintor, uma família aristocrática em decadência.

O livro narra muitas crises existenciais e apresenta diversas fragilidades humanas, além de apresentar os costumes e lendas de uma sociedade agropastoril da Itália do século XX. Apesar das inúmeras descrições que aparecem ao longo da história, a linguagem é direta, e permeada por um humor amargo e fatalista.

Trata-se, sem dúvidas, de uma narrativa amarga e triste, e a única esperança — à qual nos apegamos devido a Efix — é de que a vidas das senhoras Pintor melhore com a chegada de Giacinto, sobrinho delas, filho da irmã que fugira e que também já morrera. Essa esperança, porém, dura pouco.

Falar desse livro sem falar da edição brasileira dele seria um desperdício, uma vez que a Carambaia preocupou-se com todo o projeto gráfico do mesmo: todo em preto e branco e com um papel leve e uma capa bem maleável, o livro permite uma flexibilidade semelhante à dos juncos que dão nome à história. Além disso, a tiragem dessa edição foi limitada — contando com apenas 1000 exemplares, todos numerados à mão.

Juncos ao Vento não é uma leitura fácil, mas para quem gosta de saborear a verdadeira literatura italiana, aprendendo um pouco mais sobre seus costumes, paisagens e cultura e ainda gosta de leituras que trazem boas reflexões, certamente esta é uma excelente recomendação!

[Nota: não trouxe nenhuma passagem desse livro, porque, infelizmente, fui assaltada no exato dia em que terminei a leitura do mesmo e como levaram minha mochila, fiquei sem meu livro e sem as passagens que eu traria aqui…]

Se interessou pela obra? Compre na Amazon.

Assinatura

Tatianices recomenda [4]

Hoje trago algumas recomendações de livros que li, relacionados ao tema do Holocausto. E claro que eu não poderia deixar de começar essa lista com O diário de Anne Frank, que me introduziu neste universo.

download

[O diário de Anne Frank – Anne Frank – R$14,30 na Amazon]

“É a história real de uma garota judia de 13 anos que ficou escondida com a família durante a ocupação nazista da Holanda. O nome dela era Annelies Marie Frank, nasceu em 12 de junho de 1929 em Frankfurt, na Alemanha, e morreu em um campo de concentração, pouco antes do fim da Segunda Guerra Mundial, em 1945. Foi escondida, no último andar de um prédio, que Anne Frank escreveu durante mais de 2 anos em dos registros mais detalhados do dia a dia daquela faze em que os nazistas, liderados por Hitler, espalharam o horror entre seus perseguidos”

Depois de Anne Frank li A mala de Hana — bem diferente do primeiro — mas que também recomendo!

A_Mala_de_Hana

[A mala de Hana – Karen Levine – R$32,97 na Amazon]

“A Mala de Hana é um retrato singelo, mas mostra como era cruel a vida das crianças submetidas ao Holocausto. A história se desenrola em três continentes durante um período de quase setenta anos. Envolve a experiência da garotinha Hana e de sua família na Tchecoslováquia (atual República Tcheca), nas décadas de 1930 e 1940, uma jovem e um grupo de crianças em Tóquio, no Japão, e um homem em Toronto, no Canadá, nos dias de hoje. Um relato que vai sensibilizar a todos para que horrores semelhantes aos que atingiram Hana e outros inocentes nunca voltem a acontecer”

Também recomendo O menino do pijama listrado (outro clássico sobre o tema).

2224576

[O menino do pijama listrado – John Boyne – R$34,30 na Amazon]

“Bruno tem nove anos e não sabe nada sobre o Holocausto e a Solução Final contra os judeus.Também não faz idéia de que seu país está em guerra com boa parte da Europa, e muito menos de que sua família está envolvida no conflito. Na verdade, Bruno sabe apenas que foi obrigado a abandonar a espaçosa casa em que vivia em Berlim e mudar-se para uma região desolada, onde ele não tem ninguém para brincar nem nada para fazer. Da janela do quarto, Bruno pode ver uma cerca, e, para além dela, centenas de pessoas de pijama, que sempre o deixam com um frio na barriga. Em uma de suas andanças Bruno conhece Shmuel,um garoto do outro lado da cerca que curiosamente nasceu no mesmo dia que ele. Conforme a amizade dos dois se intensifica, Bruno vai aos poucos tentando elucidar o mistério que ronda as atividades de seu pai. “O Menino do Pijama Listrado” é uma fábula sobre amizade em tempos de guerra, e sobre o que acontece quando a inocência é colocada diante de um monstro terrível e inimaginável”

Agora um dos livros que mais recomendo e que mais me marcaram e que, por isso, eu não poderia deixar de mencionar: É isto um homem?

31scmI-xhXL._SX331_BO1,204,203,200_

[É isto um homem? – Primo Levi – R$19,90 na Amazon]

“Neste clássico da literatura contemporânea, Primo Levi dá um testemunho pungente de uma tragédia que afetou milhões de pessoas. Considerado o mais belo livro já escrito sobre a existência massacrada dos judeus deportados, É isto um homem? Não é, no entanto, um relato carregado de ódio e vingança. Desprovidos de saúde, os judeus nos campos de extermínio dificilmente poderiam ser identificados com os homens que eram antes da tragédia. Muito menos seus algozes sem rosto, senhores de escravos, mas sem vontade própria, num campo de morte onde ela, afinal, era o menor dos males”

Por fim, recomendo também Os bebês de Auschwitz, que vai cruzando a história de 3 mães que passaram pelos campos de concentração.

51zxhCmyefL._SX347_BO1,204,203,200_

[Os bebês de Auschwitz – Wendy Holden – R$21,90 na Amazon]

“Três mulheres grávidas. Três casais rezando por um futuro melhor. Três bebês nascidos com poucas semanas de diferença, em circunstancias inimagináveis. No momento em que nascem, pesando menos de um quilo e meio, suas mãos são “esqueletos humanos”, vivendo com podem no campo de concentração. De alguma forma, as três mulheres conseguem sobreviver. Contrariando todas as probabilidades, seus filhos também sobrevivem. Setenta anos depois, esses irmãos de coração se encontram pela primeira vez para contar a incrível história das mulheres que desafiaram a morte para trazê-los à vida. Três bebês de Auschwitz”

Sei que existem muitos outros livros sobre o tema, alguns inclusive constam na minha lista de desejados. Me interesso pelo assunto para tentar entender o que houve e aprender sempre mais sobre a história do mundo em que vivemos.

E vocês, o que já leram sobre os campos de concentração e o Holocausto? Quais recomendam?

Assinatura

Citações #17

Design sem nome

Se vocês acham que a resenha de Os quase completos ficou longa, saiba que ainda deixei diversas citações de fora! O livro foi escrito por Felippe Barbosa e foi publicado em 2018, pela editora Arqueiro.

Como eu comentei em minha resenha, trata-se de um livro que fala muito sobre buscarmos nossos sonhos e nossa felicidade:

“-Bom, cada um de nós deve seguir o próprio caminho. Encontrar o próprio… País das Maravilhas”. (p.34)

E é sempre bom lembrarmos que as coisas boas da vida [alerta de clichê] nem sempre são coisas, mas podem ser pessoas! Porque é no contato humano que a gente aprende, evolui, sente:

“Há sempre pessoas em nossa vida que nos surpreendem” (p.157)

E por falar em pessoas e sentimentos, uma passagem que traz muito do que o meu namorado costuma dizer também:

“Amar alguém é demonstrar carinho, preocupação e apoio. É colocar as necessidades alheias acima das nossas” (p.244)

Como Os quase completos fala tanto sobre vida, não poderia deixar de falar sobre morte também:

“A morte é a maior certeza que nos cerca e, ao mesmo tempo, a incerteza que mais grandiosamente nos assombra” (p.199)

Mas a maior lição que fica desse livro é a de que precisamos nos conhecer e lutar contra os nossos próprios fantasmas e medos para que possamos ter uma vida saudável:

” -É engraçado descobrir que você pode ser seu pior inimigo, não é?” (p.296)

Ficou com vontade de ler esse livro? Compre na Amazon.

Assinatura

Allegro em hip-hop – Babi Dewet

Título: Allegro em hip-hop
Autor: Babi Dewet
Editora: Gutenberg
Páginas: 334
Ano: 2018

(Leia ao som de: As quatro estações – Vivaldi)

A série Cidade da Música se passa no Conservatório Margareth Vilela, mas como cada volume conta a história de um personagem diferente, podemos ler os livros na ordem que quisermos. Eu gostei muito de Sonata em punk rock e estava bem ansiosa para Allegro em hip-hop. Ansiedade, aliás, é um elemento muito importante nessa história.

Camila Takahashi — mais conhecida por Mila — é uma jovem bailarina descendente de asiáticos e que sempre deu duro, seja pela cobrança familiar, seja pelo fato de que o ballet era sua maior paixão. Por seu esforço e seu talento, consegue uma bolsa para estudar na Margareth Vilela, um renomado conservatório de música que abriu também um curso de ballet, para que os músicos pudessem tocar para os bailarinos.

“Mila tinha nascido para ser a melhor e não seria nada menos que isso”

Allegro em hip-hop (p.12)

Apesar de se exercitar diariamente e se alimentar de maneira relativamente balanceada, Mila não levava uma vida realmente saudável: ela treinava noite e dia, até não aguentar mais, e mesmo exausta treinava mais um pouco. Ela se cobrava de maneira assustadora e não tirava nenhum tempinho para conhecer um pouco mais sobre si mesma. Ao menos não até que tanta coisa começasse a acontecer em sua vida que ela se viu obrigada a refletir um pouquinho sobre seus sentimentos. E é lindo ver como essa personagem amadurece ao longo do livro.

“Ela não fazia ideia de por que discussões e gritaria sempre a deixavam com a sensação de que estava fazendo algo errado, mesmo que o problema não fosse com ela”

Allegro em hip-hop (p.21)

Ao longo da história vamos acompanhado a progressão dos sintomas da ansiedade de Mila, que passa a ter de compreender o que acontece consigo mesma para poder superar seus próprios obstáculos. O mais interessante deste livro, porém, não é somente o fato de termos uma protagonista com ansiedade (e descendente de asiáticos, ainda por cima), mas também o fato de que ele nos mostra o quanto há pessoas ao nosso redor que estão dispostas a nos ajudar.

Mila, por exemplo, tem uma melhor amiga no Conservatório, chamada Clara. Elas são muito diferentes entre si, em inúmeros aspectos, inclusive na questão familiar: enquanto a família de Camila é extremamente conservadora e tradicional, Clara tem duas mães que, segundo as personagens, são incríveis.

“Sorriu pensando no quanto ela e Clara eram diferentes e como se gostavam mesmo assim”

Allegro em hip-hop (p.50)

É nos corredores da Margareth Vilela que Mila conhece, também, Vitor, um violinista ruivo extremamente paciente, simpático, atrapalhado e compreensível.

“Alguma coisa nele trazia uma sensação reconfortante, como o sentimento de voltar para casa”

Allegro em hip-hop (p.34)

Apesar do romance que se instala entre eles, fazendo Mila repensar diversos aspectos de sua vida, percebemos que esse não é o foco dessa história e que Vitor poderia até aparecer como um simples amigo. A presença dele, no entanto é indispensável, pois é ele quem faz o elo entre o ballet de Mila e o hip-hop de seus amigos músicos.

“O compasso era em Allegro, um andamento musical leve, ligeiro e animado, que normalmente é interpretado com movimentos coreográficos mais rápidos e agitados”

Allegro em hip-hop (p.203)

Mila ainda conta, ao longo do livro, com o apoio do Clube da Diversidade, que faz com que ela enxergue a importância de lutar pelo respeito às minorias e combater os preconceitos cotidianos. Muitos outros personagens também lhe estendem a mão, assim como ela busca sempre fazer o bem aos que estão perto dela. Allegro em hip-hop, portanto, também nos fala muito sobre empatia, como não poderia deixar de ser.

“Era engraçado como a força podia vir de pessoas que nem conhecia ou de pequenos momentos ou detalhes”

Allegro em hip hop (p.116)

Outro ponto interessante da história de Allegro em hip-hop é que apesar de se passar numa escola fictícia, em que convivem apenas músicos e bailarinos, trata-se de uma realidade que podemos encontrar facilmente fora das páginas desse livro. Todos os personagens ali são extremamente palpáveis, cheio de sonhos, sentimentos, medos, vontades. Mas ao colocar tudo isso em um Conservatório, Babi Dewet nos permite conhecer mais a fundo, também, as dificuldades que bailarinos e músicos encontram em sua formação e carreira.

“Aquela velha história de que bailarinas eram pessoas boazinhas e altruístas não era totalmente verdade. Elas eram guerreiras e batalhadoras, que buscavam seu lugar ao sol e deixavam sua marca em uma comunidade disputada por ótimos artistas”

Allegro em hip-hop (p.59)

A única coisa que não me pareceu muito real ou que não entendi muito bem ao longo da história foi o fato dos personagens mostrarem a língua um pro outro o tempo todo! A gente faz isso na vida real em todos aqueles contextos???

A narrativa de Allegro em hip-hop é em terceira pessoa e a maioria dos capítulos, claro, são centrados em Mila, mas há alguns mais voltados para Vitor também. Além disso, podemos encontrar, também, diversos diálogos e mensagens de texto trocados entre os personagens. E claro, não poderia deixar de mencionar que cada capítulo traz como “título” uma música diferente.

Eu poderia passar horas e horas falando sobre esse livro, que realmente me fisgou, mas vou parar por aqui com o pedido de que leiam essa belezura. Quando terminei de ler eu não sabia como reagir. O final da história deixa um enorme gosto de quero/preciso de mais. É um final bem aberto, mas ao mesmo tempo, perfeito para o caminhar da narrativa.

Recomendo muito para quem ama ballet e música; para quem quer compreender melhor aqueles que sofrem de ansiedade; para quem quer um livro que apresenta e representa com responsabilidade minorias; para quem, em resumo, quer ler uma boa história, leve e, ao mesmo tempo, profunda.

Adquira seu Allegro em hip-hop por R$28,90 na Amazon

Assinatura