Música em Contos 2 – Susana Silva (parte 1)

Musica em contos

Conheci a antologia Música em Contos 2 através do Blog Inspirações Paralelas. Eu, que amo boas histórias e boas músicas, logo me interessei pela proposta do livro, que é reunir contos inspirados em canções.

Ao ver meu interesse, a organizadora Susana Silva me disponibilizou alguns contos para que eu pudesse ler e contar para vocês minhas impressões. Durante as próximas semanas, portanto, trarei aqui o que eu achei de cada um desses contos. E quem quiser conhecer melhor o trabalho da Susana, leia também a antologia Música em Contos 1!

O primeiro conto que li chama-se Na estrada e foi escrito por C. B. Kaihatsu. Nele conhecemos Fábio, que é o filho do meio e “ovelha negra” de uma família de três filhos. Seu irmão mais velho, Raul, é um advogado bem sucedido; já Alice, sua irmã mais nova, acabara de ingressar em uma faculdade de medicina.

E Fábio? Bom, Fábio queria ser músico. E para se encontrar e se aceitar, ele decide colocar o pé na estrada, sem sem dizer nada a ninguém, deixando apenas um bilhete de despedida.

“Será que conseguiria se tornar alguém bom?”

E nessa viagem, Fábio aprende muito mais do que aprendera em toda a sua vida, nos trazendo uma história que fala sobre autoconhecimento, aceitação e empatia.

A inspiração deste conto vem da música Times Like These (Foo Fighters), que é justamente uma música que representa um certo descontentamento com a vida — como o que Fábio sente — ao mesmo tempo em que nos mostra certa positividade, uma percepção de que a gente também aprende com as dificuldades.

Gostei muito da forma como alguns trechos da música foram realmente incluídos ao longo do texto, indo muito além de uma simples inspiração, sendo base e parte da história.

Hamburguerias [2] — Frank & Charles

Frank e charles blog

Quem aí estava aguardando mais um post sobre hambúrguer?? (eu estava, pois para escrever sobre eu preciso, em primeiro lugar, comer!). Hoje eu vim contar para vocês sobre a Frank & Charles, uma hamburgueria simpática e relativamente pequena que fica numa ruazinha super estreita de Higienópolis, a menos de 15 minutos (a pé) da estação Higienópolis-Mackenzie (linha amarela do metrô paulistano).

Frank & Charles tem um ambiente super gostoso. Para tornar a experiência ainda melhor, sugiro que você vá num dia (ou noite) agradável, pois há mesas na calçada muito boas para se aproveitar uns minutos de pausa. O salão interno não é muito grande, então também procure ir em um horário que não seja tão cheio. Como a rua em que ela está localizada — rua Tinhorão, 130 — é super pequena e tranquila, as mesas na calçada acabam sendo agradáveis, sem muitos carros ou pessoas passando.

Chegando lá, eu e meu namorado pedimos nossas bebidas — uma pink lemonade para mim e um strawberry fields para ele — e uma porção de fritas com maionese de dijon l’ancienne. As bebidas eram ótimas, refrescantes e com o limão taiti quebrando um pouco do doce, na medida certa. As fritas também estavam maravilhosas e a maionese caiu muito bem. Aliás, é possível escolher entre seis (!) tipos de maionese. Haja opção!!

Frank e charles blog 2

E finalmente… o tão esperado hambúrguer! Bom, “tão esperado” é exagero, no sentido de que  a comida não demora para vir. Claro, não é um fast food, mas também não há uma demora absurda. E cada segundo de espera vale a pena, porque QUE HAMBÚRGUER! A carne é extremamente macia e saborosa e os demais itens que compõem o lanche harmonizam perfeitamente com esse hambúrguer.

O lanche que eu e meu namorado pedimos chama OMG e, realmente, OH MY GOD! Divino! Na foto (lá no topo desse post), podem parecer dois lanches diferentes, mas é que eu pedi no pão clássico e meu namorado no pão preto.

Confesso que escolhi esse lanche dentre todos porque sou muito fresca com comida e não gosto muito de coisas mais adocicadas com salgado (o que já me fazia excluir lanches com algum tipo de geleia ou com cebola caramelizada). Mas mesmo o OMG sendo quase que um dos lanches mais “básicos” tenho certeza que foi uma boa pedida e eu até arriscaria algo mais “ousado” numa próxima vez.

Para fechar com chave de ouro ainda pedimos um brownie sundae com um ganache de chocolate belga que já dá água na boca só de lembrar! Mas é uma sobremesa para dividir mesmo, ainda mais depois do hambúrguer.

Frank & Charles pode não ser uma das hamburguerias mais baratas, mas é um valor que vale cada centavo. O OMG, por exemplo, custa R$28,50 (é um dos lanches mais baratos).

Para vegetarianos, não sei se é possível substituir a carne por algo. Se não for, as únicas opões existentes ficam na parte de Sandwiches do cardápio.

Quem aí já conhecia a Frank & Charles? Quem ficou com vontade de conhecer?

Grenade — Triz Santos

Título: Grenade
Autor: Triz Santos
Editora: Viseu
Páginas: 266
Ano: 2019
Grenade blog
(Para ler ao som de: Grenade – Bruno Mars)

Grenade nos conta a história de William Toldd, um jovem vindo de uma família extremamente rica e com uma vida que muitos considerariam perfeita. Ele mora em uma casa imensa, estuda no melhor colégio de Londres e tem uma namorada. Mas, claro, nem tudo são flores.

“Como eu sempre digo para mim mesmo, se ninguém souber do seu sofrimento, ninguém irá te julgar”

A família de Willian havia acabado de se mudar para Londres e, portanto, no começo da história acompanhamos nosso protagonista em seus primeiros dias de aula na nova escola. E é aí que muita coisa começa a mudar.

“As coisas estavam acontecendo de um jeito que eu não imaginava e eu não sabia se isso era bom ou ruim”

William e Elise, sua namorada, passam a estudar na mesma escola. Mas o namoro deles parece estar indo por água abaixo. Para melhorar o cenário, na escola deles também estuda um garoto problema: Edward Steele. Todos os alunos da escola aconselham Willian a se manter longe de Steele, mas sem entender os motivos de tal recomendação, ele acaba não dando ouvidos a seus colegas.

“Por que Edward estava me fazendo questionar o que sou tão facilmente?”

E sim, Edward mexe (sentimentalmente) com William de uma maneira que ele não consegue entender, ao menos não de início.

“Minha sexualidade diz respeito somente a mim e ficar falando disso – mais especificamente com a desconfiança que as pessoas têm em relação a ela – me deixa desconfortável e chateado”

Já deu para imaginar, portanto, que Grenade é um romance LGBTQ+ e que nele acompanhamos Willian se conhecendo. Mas esse também é um livro que aborda outros assuntos, como depressão, drogas e violência.

“A verdade é que os demônios de Edward estavam o arrastando para a ponta do abismo cada dia mais e ele estava a um passo de cair na imensa escuridão que era a sua mente”

Grenade toma rumos inesperados e fortes, o que faz que esse não seja um livro recomendado para qualquer pessoa. É preciso ter estômago e sanidade para ler essas páginas.

“Os demônios haviam vencido a batalha travada por anos e agora, ninguém mais poderia salvá-lo”

Mas se você sente que pode encarar essa história, encare. Vale a pena! Os plots dela são ótimos e nos prendem à leitura, fazendo a gente querer saber que fim haverá a narrativa (e que fim! Esse é realmente chocante)

“O amor não é justo. Ele não liga se a pessoa é uma psicopata ou a mais bondosa do mundo”

Ficou curioso(a) para conhecer a história de Willian? Então clica aqui!

Citações #28

Citações #28

Hoje vamos de citações de “E as estrelas quantas são?“, um ótimo livro, escrito pela italiana Giulia Carcasi, que nos fazer refletir (e relembrar) sobre a adolescência, fase de inúmeras descobertas (e decepções). Livro bem adequado, também, para uma segunda-feira pós-ENEM…

“Se você se queima com fogo uma vez, fica sempre com medo de se queimar novamente”

(p.52)

O livro possui dois lados e cada lado é narrado por um personagem: Carlos e Alice, dois jovens sonhadores e românticos.

“Há noites em que mal se vê uma estrela, mas, quando se está apaixonado, se veem muitas”

(p. 146)

 

“Os corpos não são feitos para estar sós, o amor é um jogo de encaixe”

(p.146)

É claro que, ao longo de E as estrelas quantas são? Carlos e Alice vão percebendo que não é tão fácil assim ser o que são e, principalmente, ter o coração que eles têm.

“— Sabe qual é a verdade? A verdade é que as pessoas só lutam por si mesmas… No entanto, as melhores guerras são aquelas que se lutam pelos outros, porque essas têm a força de um ideal puro, não de um interesse. Ninguém lutou por mim”

(p. 142)

 

“É triste quando os objetos duram mais do que as pessoas”

(p. 148)

Carlos e Alice, com o passar dos dias do último ano escolar deles aprendem muito mais do que escola pode ensinar.

“Agora ela acredita na terra, que é um acreditar triste porque não faz olhar para o alto”

(p.85)

E apesar de quebrarem a cara (e o coração), não deixam de ser os seres humanos que são.

“Acho que às vezes a gente tem que aguentar uma tempestade dessas , sem motivo, só porque alguém precisa desabafar um pouco”

(p.76)

Acho que já deu para perceber que esse é um daqueles livros que nos deixam reflexivos. E que são poéticos, ah, como são! Vale a leitura, sem dúvidas.

“Minha mãe me pede um pouco de vida, mas hoje não sei como lhe dar, também estou procurando”

(p. 50)
Ficou com vontade de ler E as estrelas quantas são? Então clica aqui!

Tatianices recomenda [22]

tatianices recomenda [22]

O ano está acabando e, consequentemente, os desafios que tenho trazido indicações para vocês também está chegando ao fim! Mas a lista de livros que queremos ler não acaba nunca, certo?

Para novembro, a Geração Editorial nos desafiou com um livro baseado em fatos reais. Fácil, hein? Difícil é não trazer livro triste aqui…

          O que me faz pular por [Higashida, Naoki]

O Skoob, por sua vez, nos desafiou com um livro com personagens não humanos. Um pouco mais difícil esse!

     

E, para terminar, indicações de livros publicados em 2018, para o desafio da Livraria Cultura.

    A memória do mar por [Hosseini, Khaled] 

E vocês, o quem indicam nessas categorias?

Resumão — Outubro de 2019

RESUMÃO DE OUTUBRO

Outubro passou rápido e, para a pessoinha aqui, foi melhor que setembro. Aqui no Blog também teve muita coisa interessante e muitas novidades. Bora conferir?

As resenhas do mês foram:

Também falei para vocês sobre o Livros em Pauta e sobre o Clube de Leitura da Percursos Idiomas, além de trazer dicas literárias e culturais e também Citações.

E as novidades, quais foram? Inaugurei duas novas seções no Blog: Hamburguerias e Pós-Graduação. E mais: me tornei parceira de duas Editoras (como vocês podem conferir na lateral do Blog, ou no final da página, caso estejam visualizando pelo celular): a Andross e a Cervus!

Além disso tudo aí, ao longo do mês eu li:

  • A ascensão da Dama da Noite (Luciano Maia);
  • Faca na língua (Eunice Mendes);
  • Melanie (Maxwell dos Santos)
  • Grenade (Triz Santos)

E ainda estou lendo:

  • Meu envolvente Juiz (Juju Figueiredo)
  • Extraordinárias (Duda Porto de Souza e Aryane Cararo)

E como foi o mês de vocês?? Gostaram das novidades por aqui?

Caixa de pássaros — Josh Malerman

Título: Caixa de pássaros
Original: Bird Box
Autor: Josh Malerman
Editora: Intríseca
Páginas: 272
Ano: 2015
Tradutor: Carolina Selvatici

caixa de pássaros blog

Sei que muito já foi falado sobre Caixa de pássaros (mais conhecido por Bird Box) e que talvez eu não traga nada de novo aqui, mas como não gostei tanto de Uma casa no fundo de um lago, nada mais justo que voltar a Josh Malerman e escrever sobre uma história que gostei.

Me lembro que quando o filme estourou na Netflix, muitas pessoas tentaram interpretar a história, e tantas outras não a entenderam. Depois de assistir ao filme e ler o livro, fico aqui pensando quantas camadas tem essa história e o quão pouco eu realmente devo ter absorvido dela.

“Ninguém tem respostas. Ninguém sabe o que está acontecendo. As pessoas estão vendo alguma coisa que as leva a machucar os outros. A machucar a si mesmas”

(p.31)

Neste livro, para quem ainda não o conhece, é retratado um mundo em que algo faz com que as pessoas que o vêem, se suicidem. Ninguém sabe ao certo o que é que desencadeia essa reação, mas as pessoas passam a compreender que a única solução é não olhar.

“Parece que não importa sob que ângulo vemos as criaturas, elas sempre nos machucam”

(p.75)

Deste modo, “não olhe”, se torna o mantra dos sobreviventes deste mundo apocalíptico. Só é possível sair às ruas de olhos vendados. E ainda que as pessoas tentem tomar cuidado, chega um momento em que a sobrevivência vai se tornando cada vez mais complicada, porque ainda que se saia de olhos vendados, onde conseguir itens básicos, como comida e produtos de higiene?

A narrativa se alterna entre passado — quando tudo começa a ficar estranho e Malorie, sozinha no mundo e grávida, encontra um grupo que está fazendo o possível para sobreviver, dividindo uma casa — e presente, quando Malorie está com duas crianças, tentando dar uma vida digna a elas num cenário que se tornou ainda mais apocalíptico.

“Como pode esperar que seus filhos sonhem em chegar às estrelas se não podem erguer a cabeça e olhar para elas?”

(p.71)

Caixa de pássaros é um livro que nos prende pelo seu suspense, por seus pontos angustiantes e por nossa curiosidade diante do desconhecido total. Duvido que você leia esse livro e não fique se perguntando como seria viver sem poder ver.

Como eu disse anteriormente, a frase “não olhe” é repetida como um mantra salvador que às vezes pode nos parecer estranho. Mas fico pensando quantas coisas nos são repetidas (quase como mantras) diariamente e que se tornam normais para nós (ainda que não o sejam)? (eu penso muito, por exemplo, quando pego metrô no horário de pico e — todo santo dia — eles dão repetidamente os mesmos avisos, como “utilize a escada fixa no final do corredor” ou “a faixa amarela é a sua segurança” e afins).

“Disseram a eles que poderiam enlouquecer. Então eles enlouquecem”

(p.190)

E se Caixa de Pássaros me faz refletir sobre o que está à minha volta, mesmo retratando algo totalmente diferente do que eu conheço ou vivo, então, certamente, esse é um livro para não deixar passar.

Para saber mais sobre esse mundo assustador e sobre como termina a aventura vivida por Malorie, clique aqui.

Desmistificando o Mestrado [1]

Desmistificando o mestrado [1]

E finalmente lhes apresento a segunda nova seção do Blog ou a segunda novidade que eu queria trazer para cá: resolvi compartilhar com vocês minha experiência no Mestrado! E por que? Bem, no post de hoje eu vou justamente explicar meus motivos para criar essa seção e nos próximos posts vou efetivamente mergulhar nesse mundo.

Mas vamos por partes, certo? Para falar do Mestrado eu preciso falar do que veio antes dele. Eu me graduei em Letras, pela Universidade de São Paulo (USP), tendo feito o Bacharelado e a Licenciatura — porque sim, no caso da Letras, na USP, essas são duas coisas distintas. Além de termos a opção de fazer só o Bacharelado ou fazer o Bacharelado e a Licenciatura (não é possível, no caso da Letras, fazer apenas Licenciatura), também escolhemos entre as habilitações que podem ser apenas português, português e linguística, só linguística, uma língua estrangeira (como alemão, japonês, grego, inglês, coreano, árabe…) ou português e uma língua estrangeira (ufa, espero não ter esquecido nenhuma das opções!). Eu optei por fazer Português e Italiano, porque, na verdade, já entrei querendo isso (ah, claro, cabe mais uma explicação aqui: no primeiro ano temos o chamando ciclo básico e só ao final deles fazemos a escolha da nossa habilitação, mas se vamos ou não conseguir a habilitação desejada dependerá das notas que tivemos em nosso ciclo básico).

A Letras é um dos maiores cursos da USP. Entram cerca de 800 calouros por ano! Para dar conta desse mar de gente e dessa (quase) infinidade de opções, a Letras é dividida em cinco Departamentos: DLCV (Departamento de Letras Clássicas e Vernáculas), DLM (Departamento de Letras Modernas), DL (Departamento de Linguistica), DLO (Departamento de Letras Orientais) e DTLLC (Departamento de Teoria Literária e Literatura Comparada). Dentro de cada um desses departamentos existem áreas. Por exemplo, o DLM é dividido entre as Áreas de Alemão, Inglês, Francês, Italiano e Espanhol. E cada uma dessas áreas pode ter o seu Programa de Pós-Graduação, como por exemplo o Programa de Pós-graduação em Língua, Literatura e Cultura Italiana, do qual faço parte. Complexo, né?

Cada Programa de Pós pode ter suas especificidades, portanto, antes de mais nada (apesar de tudo o que já expliquei), quero deixar claro que o que trarei aqui diz respeito ao Programa do qual faço parte, mas pode servir de base para outros Programas também.

Dito tudo isso, volto à pergunta do início: por que falar sobre a Pós aqui no Blog? Bom, mais do que ter feito/estar fazendo meu Mestrado junto ao Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas, eu fui estagiária do Programa e da Área de Italiano por quase dois anos e isso me permitiu aprender muita coisa do funcionamento da Universidade, da burocracia e de como funciona a Pós-Graduação. Tendo esse conhecimento, sempre me coloquei à disposição para quem quisesse tirar dúvidas, principalmente sobre a Pós, mas acabei percebendo que as perguntas eram quase sempre as mesmas ou então que são sempre os mesmo assuntos que nos confundem.

O que eu espero, portanto, é poder ajudar outras pessoas que tenham interesse em fazer uma Pós, mas que não sabem muito bem por onde começar. No próximo post, por exemplo, falarei sobre o Processo Seletivo do Programa de Pós-Graduação em Língua, Literatura e Cultura Italianas.

Melanie — Maxwell dos Santos

Título: Melanie
Autor: Maxwell dos Santos
Editora: Giostri
Páginas: 88
Ano: 2019

melanie blog

Não importa quantos livros eu leia, ainda me impressiono como, por vezes, livros tão curtos conseguem abordar diversos assuntos importantes ao longo de suas páginas. Com Melanie não foi diferente, ainda que, ao meu ver, fosse possível ampliar a história, aprofundando algumas das temáticas da obra.

Melanie nos conta a história de uma menina que tem exatamente esse nome. Ela vem de uma família humilde e seu pai falecera alguns anos antes, de câncer. O sonho dessa jovem era ser médica, mas todos nós sabemos que os cursos de Medicina são extremamente concorridos nas Universidade Públicas e absurdamente caros nas Particulares.

“Uma menina linda por dentro e por fora, com olhar que encanta a qualquer pessoa, tem a voz mais doce que eu já escutei, tão educada e meiga!”

(p.22)

Apesar de estar bem distante de ter as condições que os jovens ricos tinham — como acesso às melhores escolas e cursinhos — Melanie sempre foi extremamente dedicada e batalhadora. Trabalhou para juntar dinheiro para pagar um cursinho, se inscreveu no Programa Universidade para Todos, se destacou entre os alunos do cursinho e teve a oportunidade de estudar em um grande cursinho pré-vestibular com 100%, devido ao seu desempenho.

E é por meio dessa história que Maxwell dos Santos nos fala sobre as desigualdades do sistema educacional, sobre o império dos cursinhos pré-vestibulares e, principalmente, sobre cotas.

E se esses três assuntos já nos dão muito pano para manga, há ainda mais um elemento que o autor incluiu em sua história: um acidente de carro causado por dois jovens extremamente ricos e irresponsáveis, que custou a vida de duas pessoas queridas e importantes para Melanie: sua prima e seu irmão mais novo.

“De que vale alcançar o objetivo, se as pessoas queridas não tão mais entre a gente pra partilhar essa alegria?”

(p.45)

E por falar no irmão mais novo de Melanie, mais um assunto que entra nas páginas deste livro: ele era portador de Síndrome de Down e, através desse personagem, o autor também fala sobre preconceito e discriminação.

O livro também começa com uma dedicatória que já me deixou arrepiada e totalmente curiosa por essa história que é daquelas que amo ler (e amo ainda mais quando são reais).

Apesar de ter gostado da premissa e mesmo da história em si, achei — como disse lá no começo — que o livro poderia ter se alongado um pouco mais, se aprofundando em alguns aspectos, ainda que o autor, ao falar das cotas, por exemplo, tenha trazido tanto a visão de quem precisa delas ou é a favor, como daqueles que se vêem “prejudicados” por elas.

Por vezes, achei a mudança de cenário meio brusca, assim como alguns saltos rápidos demais na linearidade da história. O modo como ela é narrada também é um pouco jornalística demais, direta, tirando um pouco da experiência de se ler a história de uma jovem contada realmente pelos olhos de alguém dessa idade.

Ainda assim, Melanie é uma leitura extremamente necessária. Um livro que nos faz refletir sobre algumas condições extremamente reais e tristes da educação brasileira e da luta de tantos jovens.

Se você ficou com vontade de conhecer Melanie, clique aqui.

 

 

Citações #27

Citações #27

Faz tempo que não trago citações por aqui, não é mesmo? E as de hoje são do livro A ascensão da Dama da Noite, uma fantasia cheia de passagens que nos fazem refletir. Era tanta coisa que merecia ser destacado que vejam só quantos trechos deixei de fora da resenha!

“O pior tipo de cegueira, aquela em que os olhos da alma estão fechados”

Como mencionei na resenha, ao longo da história acompanhamos alguns personagens que se libertam e que acabam tendo de se conhecer melhor para seguir novos rumos.

“Obedecer à ordem de correr foi um aprendizado dolorido”

 

“Não podia ajuda-los nem se quisesse. Eu também não sabia quem ou o que eu era”

A narrativa ainda se volta, por diversas vezes, ao passado (muitas vezes doloroso) de alguns dos personagens.

“A lembrança tende a jogar seu verniz mágico sobre os melhores momentos, fazendo com que pareçam mais bonitos na recordação”

 

“Lembrar é dolorido, querida, mas é assim que toda cura começa”

E é esse passado que faz com que muitos rumos sejam tomados ao longo da história, desencadeando vinganças, lutas e mudanças.

“As pessoas costumam mudar a maneira de ver o mundo quando são feridas”

 

“O passar dos anos muda a perspectiva das pessoas”

Por conta de tudo o que mencionei até aqui — e por muitos outros motivos — esse livro também nos ajuda a refletir sobre nós mesmos e nossas escolhas.

“Quantas decisões erradas eram necessárias para condenar uma existência?”

 

“Abrir mão das coisas que temos apreço é que é difícil”

Se com as passagens acima vocês já conseguiram perceber o quanto esse livro é intenso, saibam que ainda há muito mais por trás das páginas dele. Mas vou ficando por aqui, com mais dois trechos, que falam sobre o peso da experiência.

“Velhice é quando o espírito perde a vontade de continuar. Quando a experiência esmaga o gosto pela descoberta”

 

“Só quem já se quebrou sabe o valor de manter-se inteiro”

Para ler A ascensão da Dama da Noite clique aqui.