Citações #26

Citações #26

Hoje é dia de trazer algumas citações que ficaram de fora da resenha de um livro maravilhoso: Guardião do Medo, da Michelle Pereira. Lembrando que, nessa obra, o protagonista, Alexander, não tem uma vida fácil e que, por isso, é um personagem extremamente amargurado.

“— Ninguém tem a vida que deseja ter, Alexander”

Mas, na resenha eu defendi o comportamento grosseiro de Alexander, e reitero minha defesa aqui: ele tem seus motivos para ser assim, e não são poucos.

“Eu vi o pior do ser humano, não posso voltar atrás”

Por outro lado, ao longo da história vamos nos deparando com personagens que são o oposto — em muitos sentidos — de Alexander.

“Eu sei que parece bobagem, mas algumas pessoas têm esse coração perseverante, esse coração que ainda acredita…”

E somente pessoas assim poderiam ser capazes de provocar alguma mudança no protagonista.

“Como eu poderia dormir depois daquela velha senhora quebrar alguma coisa dentro de mim? Porque ela quebrou algo, com certeza, e ainda não sei o que é”

E não bastasse toda a dor vivida, quando Alexander está entendendo que há certas belezas na vida, ele tem de lidar, também, com a morte.

“— Cada pessoa que amamos leva um pouco de nós quando parte”

E então…

O corpo nunca se acostuma com a dor”

Alexander também é uma pessoa amargurada porque, dentre outros motivos, sempre foi muito sozinho. Ou sempre acreditou ser muito sozinho.

“— Sempre que você vir uma estrela ou uma luz brilhar mais forte, saiba que eu estarei lá”

E tudo o que ele precisava era de alguém que lhe desse amor.

“Por todos esse anos, isso foi tudo o que precisei. Alguém para me dizer que as coisas iriam ficar bem”

Uma coisa que acabei não explicando na resenha — porque acabei não encontrando espaço para essa passagem — é o motivo pelo qual um Vórtice do Medo é tão importante, tanto para o bem quanto para o mal:

“— O medo é um sentimento poderoso, talvez mais poderoso que o amor. Porque o medo enfraquece, paralisa, mas o medo também move as pessoas”

Termino essas citações, portanto, com uma passagem muito importante, que devemos sempre ter em mente e refletir sobre:

“— Ninguém é tão bom quanto acha que é”

E se você ficou (ainda mais) interessado(a) em Guardião do Medo, adquira o seu aqui.

 

 

 

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Elo entre mundos – B. A. Polinari

Título: Elo entre mundos: A batalha de Terökum
Autor: B. A. Polinari
Editora: Publicação independente
Páginas: 290
Ano: 2019

Elo entre mundos blog

Comecei a leitura de Elo entre mundos: a batalha de Terökum sabendo bem pouco sobre o livro e menos ainda sobre a autora, que gentilmente me cedeu o ebook para a realização desta leitura. Devo confessar, portanto, que fui totalmente surpreendida (de maneira positiva) por essa obra, que agora apresento a vocês.

O título Elo entre mundos já nos revela algo de importante sobre a história: trata-se de um cenário que envolve mundos diversos que tiveram de se unir, formando o famoso Elo. Esses mundos são povoados por raças diversas e fortes e que, apesar das diferenças, mantêm-se unidas.

A leitura desta obra começa no prelúdio, que me deixou um pouco assustada, devido às palavras difíceis e à quantidade de informações. Mas esse prelúdio nos apresenta muito bem (e por isso a quantidade de informações) o plano de fundo da história. Por isso, preciso falar um pouco sobre ele, para que o restante fique mais fácil de entender.

Tudo começa com as Prithmanares, entidades que cuidam da vida dos planetas. Com o passar dos anos, elas começaram a perceber que alguns indivíduos estavam evoluindo rapidamente e que eles poderiam ser úteis para elas, pois poderiam ajudar a manter a qualidade desses mundos. Por isso, elas ajudaram esses seres a aprimorar suas técnicas e também criaram portais fixos, para que as raças pudessem transitar mais facilmente de um planeta a outro.

“— Interessante! Às vezes a passividade cobra um preço alto!”

(p.70)

O poder que o conhecimento traz, no entanto, às vezes tem consequências catastróficas, porque nem todos estão prontos para usá-los pelo bem de todos. Por outro lado, há pessoas que nascem para ser líderes natos — e aqui eu uso a palavra líder pensando naqueles que sabem governar o seu povo de modo a ajudá-lo, buscando justamente sempre fazer o bem — e foi graças a pessoas assim que nem tudo se perdeu. Em reconhecimento, as Prithmanares se ligaram de maneira mais profunda à essas pessoas, que se tornaram protetores. Os protetores moram em uma Eirídomu — uma habitação especial e protegida — e têm acesso a conhecimentos milenares.

Ufa, isso tudo foi só para introduzir a história, que começa anos depois do surgimento dos primeiros protetores. Acontece que a harmonia dificilmente dura para sempre e em meio à paz dos mundos, surge um rapaz talentoso que consegue reunir um bom número de traidores para abalar a ordem estabelecida. Os protagonistas de Elo entre mundos: a batalha de Terökum são quatro jovens protetores: Fira, Reyk, Kerina e Keyrian. Esses quatro nasceram acostumados com seus poderes e conhecimentos, mas viram-se em apuros quando foram mandando para um mundo onde perderam tudo aquilo que possuíam, inclusive seus corpos anteriores, que eram mais fortes.

“Às vezes é preciso perder algo para se reencontrar!”

(p.98)

Os planos do traidor, contudo, falharam em alguns aspectos e Fira e Reyk — dois grandes amigos — foram enviados juntos para um mesmo lugar, enquanto as gêmeas Kerina e Keyrian foram enviadas para outro canto do mesmo mundo. Por terem ido parar no mesmo mundo, os quatro jovens conseguem se reencontrar e passam a ser treinados pela Prithmanare do planeta em que eles estão. Boa parte do livro nos mostra o caminho percorrido por esses quatro jovens, que tentam recuperar seus poderes para poder salvar suas famílias, amigos e, claro, seus planetas.

“— Às vezes as piores feridas são aquelas que não podem ser curadas com bandagens e algumas ervas medicinais!”

(p.68)

Claro que o caminho trilhado pelos jovens não é nada simples: além de toda a preocupação e medo que eles têm de enfrentar em seu interior, eles precisam treinar incansavelmente e, acima de tudo, precisam se conhecer melhor. Elo entre mundos, portanto, é um livro que nos mostra a importância da união e da amizade, mas também de nos conhecermos e sabermos nossos limites. Recomendo para quem curte uma fantasia bem pensada, que nos surpreende a cada página e que não é nem um pouco previsível (sério, tem reviravolta atrás de reviravolta nessa história!).

Ficou com vontade de conhecer melhor esses jovens protetores e as peripécias vividas por eles? Adquira seu ebook aqui.

Rosa de Hiroshima — Vinícius de Moraes

Rosa de Hiroshima

Em minha última resenha falei de um livro que conta um pouco sobre o acidente nuclear de Chernobyl. Isso me fez pensar, também, em Rosa de Hiroshima, uma vez que, novamente, estamos falando de questões nucleares, com a infeliz diferença de que aqui não se trata de um simples acidente. Mas vamos por partes.

Rosa de Hiroshima é um poema de Vinícius de Moraes que, posteriormente, foi musicado por Gerson Conrad e ganhou vida com a banda Secos e Molhados. Trata-se de uma obra metafórica que nos faz refletir sobre as consequências de um bombardeio nuclear.

No dia 6 de agosto de 1945 — ano em que a II Guerra Mundial chegava ao fim — para demonstrar sua força nuclear, os Estados Unidos lançaram sobre Hiroshima uma bomba de urânio, que recebeu o nome de Little Boy e que matou ao menos 140 mil pessoas. Três dias depois, ainda houve o ataque a Nagasaki, com uma bomba de plutônio, apelidada de Fat Man. Mais de 40 mil pessoas morreram, sem contar as milhares de pessoas que morreram posteriormente, em decorrência dos efeitos da radiação dessas bombas.

Para as pessoas, a radiação pode causar queimaduras, cegueira, surdez e, claro, câncer. Mas, além disso, a radiação em excesso também é prejudicial para o meio ambiente, devastando a vegetação,  causando chuva ácida e contaminando tudo.

É difícil não sentir um aperto no peito lendo o poema ou, mais ainda, ouvindo a canção Rosa de Hiroshima, que ainda nos lembra que ninguém é poupado em um ataque como esse: crianças, mulheres, idosos… É ainda mais tocante ver o horror sendo descrito, metaforicamente, com o auxilio de uma imagem tão frágil e bela, mas também tão forte (uma vez que se protege com seus espinhos): a rosa. Isso sem falar que a rosa pertence à natureza, que também não é poupada em uma tragédia dessas.

E também é bonito ver como Rosa de Hiroshima consegue trazer a união entre música e poesia de maneira tão bonita, trabalhando ainda mais a fundo diversas figuras de linguagem, para além da metáfora: anáfora (com a repetição de pensem), aliteração (da rosa, da rosa de Hiroshima — a sonoridade causada por esses s) e também a sinestesia (a mistura de sensações como as rosas cálidas).

Pensem nas crianças
Mudas, Telepáticas
Pensem nas meninas
Cegas, inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas, Alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas oh! Não se esqueçam
Da rosa, da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
Estúpida e inválida
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor, sem perfume
Sem rosa, sem nada

 

A magia de Christian Luciano – Gredan Risolein

Título: A magia de Christian Luciano
Autor: Gredan Risolein
Editora: publicação independente
Páginas: 407
Ano: 2018

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Christian Luciano é um menino que vive em São Paulo, filho de Estevão — um mecânico — e Eunice — uma professora de biologia. Ele também tem um irmão mais novo, Jonas. E, até aqui, não temos nada de extraordinário. Acontece, porém, que Christian não é uma criança qualquer: além de ser muito inteligente, ele consegue, aos dois anos de idade, chegar a um outro mundo: Guisaro.

“O mundo era para ser descoberto, desbravado”

O livro é narrado por diversos personagens, que dão seu depoimento para construir essa história cheia de mistérios, magia e descobertas incríveis. E uma coisa que achei muito interessante foi o fato do autor conseguir mesclar muito bem a História real (do nosso mundo) com uma história fantástica muito bem construída.

“A humanidade dorme. E o dom e a necessidade de dormir nos faz fechar os olhos. Quando sonhamos, os sonhos podem ser maravilhosos. Mas muitas vezes temos pesadelos, e é bom saber que, quando acordamos, podemos olhar em volta e descobrir que aquilo era apenas um sonho ruim”

Enquanto no plano terreno vamos passeando pelas ruas de uma São Paulo mais antiga e, ao mesmo tempo, entramos em contato com histórias como o fatal acontecimento de Chernobyl, no plano espiritual (não sei bem como chamar esse outro lado da história), vamos navegando por diversos mundos em que vivem as almas que já não possuem um corpo.

“Talvez as pessoas da terra estivessem precisando de mais fé e mais milagres. Acreditar na magia da vida, e entender que o universo é muito maior e mais rico do que aparenta ser”

E como tudo isso se relaciona na história? Christian Luciano, segundo as desconfianças do Mago Afonso de Bisencourt (mago que Christian encontra ao visitar Guisaro), pode ser a reencarnação de Driegus Niponeri, grande herói de Guisaro e outros mundos.

“Amor é a força que mantém todo o universo, e mesmo nos momentos em que forças poderosas parecem destrutivas, existe uma ordem maior por trás, cuja função final é o equilíbrio”

Uma alma, enquanto é alma, lembra-se de tudo o que viveu em sua(s) forma(s) humana — porque sim, uma mesma alma pode ter vivido inúmeras histórias, e isso também contribuiu para a presença da História neste livro — mas quando ela reencarna, essas memórias e conhecimentos ficam adormecidos.

“Existem momentos em que, embora o consciente não saiba explicar, o inconsciente reconhece o poder de algo mais forte, um sentimento poderoso que extrapola todas as fronteiras”

Driegus já tinha toda uma vida no mundo das almas, além de ter muito poder. Mas, um belo dia, após um confronto com seu arqui-inimigo Gilmon Kanerum, ambos desaparecem. Vivian Niponeri, esposa de Driegus, fica inconsolável e se isola de todos. Até que Mestre Afonso a convence de ajudá-lo a descobrir se Christhian Luciano é ou não Driegus.

“Só ela sabia o quanto era imensa a dor da separação de seu grande amor”

Assim, A magia de Christian Luciano torna-se um livro cheio de revelações, ação, magia. E é um livro que fala sobretudo de amor. E esse provavelmente foi um dos maiores motivos para eu ter me encantado mais com tal história.

“E nos momentos de felicidade é fácil esquecer todos os problemas que ficaram para trás”

Tatianices recomenda [17]

Tatianices Recomenda [17]

Chegou o dia de trazer para vocês dicas de leituras para desafios! Lembrando que esse ano, para indicar leituras, resolvi me basear em 3 desafios diversos. O primeiro deles é o da Geração Editorial, que esse mês desafia seus leitores com um livro que tenha ganhado o nobel de literatura.

Para essa categoria trago, inicialmente, Juncos ao vento, ainda que o prêmio não tenha sido para o livro, mas para a autora, pelo conjunto de sua obra.

Também recomendo As cabeças trocadas e Noturnos.

       

O Skoob nos desafia a ler um livro que foi considerado modinha. Difícil, não? Mas vamos de Crepúsculo, A culpa é das estrelas e… Extraordinário (???).

        

Por fim, a Livraria Cultura nos desafia com um livro de nossa infância. Adorei essa! Escolho A princesinha, Cuidado, garoto apaixonado e Tipo assim, Clarice Bean.

   

E, só para lembrar, se você quiser saber mais sobre algum desses livros, basta clicar na imagem!

Incógnita – Dalton Menzes

Título: Incógnita — Aforismos I
Autor: Dalton Menezes
Editora: publicação independente
Páginas: 83
Ano: 2019

Incógnitas

O livro Incógnita nos traz uma série de aforismos escritos por Dalton Menezes. Aforismos são textos muito breves — por vezes até mesmo uma simples frase — que nos trazem uma regra, um pensamento, um princípio, uma advertência. E apesar de encontrarmos um pouco de cada nos textos do autor, predominam os pensamentos, muitos deles advindos de sentimentos do escritor.

“Por mais alto que eu grite, por mais insuportável que seja a minha dor, as pessoas só escutarão o silêncio”

Alguns dos aforismos que encontramos ao longo desse livro também são frases ou parágrafos que aparecem em alguns de seus livros anteriores (O escritor e Alegórico ser) e que parecem ganhar ainda mais força quando destacados nesta obra.

“Na vida, só se encontra quem aceita estar perdido”

Incógnita  nos traz 70 aforismos e não é necessariamente um livro para ser lido como outro livro qualquer, mas sim uma obra para se ter e consultar nos mais diversos momentos de nossas vidas. Um livro para ser aberto quando você estiver em busca de algo que te faça refletir.

“Quem ganha uma discussão nem sempre é quem tem o melhor argumento, mas, sim, quem dela sai transformado”

O post de hoje ficou bem curtinho, porque eu não posso falar muito mais sobre os aforismos do livro, a menos que eu me detivesse em alguns (ou todos). Além disso, é preciso ler e ter a sua própria experiência saboreando essa obra e aprendendo com ela.

E se você quer conhecer os outros aforismos de Incógnita, adquira seu ebook aqui.

 

 

Resumão de junho

Resumão de Junho

Junho já está chegando ao fim e, ao escrever esse post, me dei conta que eu praticamente  só resenhei contos por aqui durante o mês! Vamos conferir as postagens que rolaram?

Resenhas:

Prometo tentar ser mais eclética no próximo mês, ok?

Mas, para além das resenhas, eu trouxe o Tatianices recomenda [16] (livros para os desafios de junho), o citações #24 (com citações de De repente, nós) e o citações #25 (com citações de O pequeno príncipe), o post Como me formei leitora? (que fez muito sucesso no instagram) e as músicas Arioso da cantata 156 (de Bach) e O tempo não pára (Mariza).

Os livros que li em junho foram:

  • Uma casa no fundo de um lago (Josh Malerman);
  • A magia de Christian Luciano (Gredan Risolein);
  • Elo entre mundos (B. A. Polinari).

E ainda estou lendo:

  • Bell Tashi – O novo mundo (Giovani Gugiel);
  • E as estrelas, quantas são? (Giulia Carcasi).

O tempo não pára – Mariza

O tempo não pára Mariza

Aos que estranharam a grafia do título, a música que trago hoje é um fado português! E são muitos os motivos que me fazem escolher apresentar essa música a vocês, então vou tentar organizar as ideias aqui.

O tempo não pára é, na realidade, uma composição de Miguel Gameiro, que ofereceu sua canção à cantora de fado, Mariza e esta, por sua vez, incluiu a canção em seu álbum Best of (2014).

Eu não tenho o hábito de ouvir fado, mas essa música um dia me apareceu no Spotify (há um bom tempo, lá em 2017) e eu me apaixonei! Eu sequer imaginava que era um fado, mas fui ouvindo e quis saber mais sobre a música. E desde então nunca mais a esqueci.

Claro que uma das coisas me mais me encantam nessa música é a letra, mas a melodia dela também é uma delícia. Porém, não posso negar que o fato dela ser em português (ainda que seja o português de Portugal) ajudou muito para que eu logo compreendesse a letra e pudesse me encantar.

O tempo não pára é uma música que fala exatamente sobre o que o título nos indica: sobre a passagem do tempo, a loucura do cotidiano. Como diria Virgílio: tempos fugit. Em uma analogia mais atual, costumo ouvir essa música antes ou depois de ouvir Paciência (do brasileiro Lenine). Não sei, costumo associar essas duas músicas, porque ambas falam desse tempo que escorre, dessa vida que nos consome. Do tempo (ou ainda, da falta dele).

Mariza, nessa canção, faz um reflexão interessante e, ainda que não seja ela a autora da letra, há muito de sua vida na canção: fadista, Mariza teve de viajar, se apresentar, ganhar a vida com sua (belíssima) voz. Isso a fez perder momentos importantes (pois todo momento tem a sua importância) ao lado de sua família e de seu marido. E podemos ver isso na letra, esse balanço entre o que foi perdido, o tempo que passou e o tempo que há pela frente, as novas oportunidades que, no entanto, jamais recuperarão o que ficou para trás.

Sério, vejam essa letra e ouçam a canção, é muito bonito!

Eu sei que a vida tem pressa
Que tudo aconteça sem que a gente peça
Eu sei
Eu sei que o tempo não para
O tempo é coisa rara
E a gente só repara quando ela já passou
Não sei, se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo
Que me dê mais tempo, para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui
Cantei
Cantei a saudade
Da minha cidade
E até com vaidade
Cantei
Andei pelo mundo fora
E não via a hora
De voltar pra ti
Não sei, se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo
Que me dê mais tempo, para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui
Não sei, se andei depressa demais
Mas sei, que algum sorriso eu perdi
Vou pedir ao tempo
Que me dê mais tempo, para olhar para ti
De agora em diante, não serei distante
Eu vou estar aqui

 

Vocês já conheciam a Mariza? E essa canção??

Próxima parada – Juliana S. Catalão e Marcele Cambeses (orgs.)

Título: Próxima parada
Organizado por: Juliana S. Catalão e Marcele Cambeses
Editora: Duplo Sentido
Páginas: 102
Ano: 2016 (1º edição)

prox. parada

Próxima Parada é um livro de contos incrível e só por alguns fatores externos isso já fica claro: é um livro totalmente escrito e organizado por mulheres, é nacional e tem uma capa mega fofa! E mais: os contos se passam dentro de um ônibus e trazem muito do cotidiano daqueles acostumados à usar um meio de transporte público. É um daqueles livros que qualquer pessoa com uma boa imaginação tem vontade de escrever, mas acabou nunca fazendo… Bem, ao menos não até que essas garotas se reunissem e dessem vida a personagens tão reais!

Neste livro temos 7 contos, unidos, como já mencionado, pela temática do ônibus. Além disso, outra semelhança entre eles, como veremos, é que contam com dois personagens centrais, geralmente um casal. Vamos entender melhor sobre cada um desses contos?

Primeira parada — Idas e vindas (Bruna Fontes)

Esse conto retrata uma paixão cheia de vai e volta, não vai e nem volta entre Marina e Henrique, dois jovens que se conhecem desde pequenos.

“— Não dá pra você forçar as coisas só porque quer muito chegar ao ponto final”

Uma das coisas que mais gostei nesse conto foi o panorama sobre o ônibus que a Marina, narradora da história, faz logo no início, nos apresentando os tipos que se encontram no mesmo meio de trasporte que ela quase todos os dias. Mas também não posso deixar de mencionar que adorei a forma como nossos sentimentos e ações são comparadas ao movimento do ônibus ou qualquer outro meio de transporte.

“Somos todos suscetíveis a batida e perdas totais, mas a incerteza é um preço que se paga para alcançar a plenitude”

Próxima parada — sete minutos (Júlia Braga)

Já nesse segundo conto temos uma história um pouco diferente: Vanessa e Eduardo são dois amigos que, em meio a uma brincadeira, acabam tendo de se beijar e isso certamente afeta a relação deles.

O maior problema deles, no entanto, não foi simplesmente o beijo, mas o fato de ter sido o primeiro beijo de cada um deles. E mais: eles achavam (cada um consigo mesmo) que eram os únicos a nunca ter beijado. Sério, dá vontade de bater nesses dois, porque eles quase perdem uma amizade por causa de uma mera falta de comunicação!

“O que poderia ser simplesmente resolvido com um pouco de comunicação e algumas risadas para reviver o clima, havia rapidamente se tornado uma destruição de amizade”

Próxima parada — Transbordante (Thati Machado)

A história de Marcos e Naldo (Ronaldo) não é simples, pois eles são amigos de infância que acabam se afastando quando Naldo se descobre apaixonado por Marcos. Esse conto também é um belo retrato das dificuldade que um garoto (ou uma garota) passam ao se assumir LGBT.

“Meus colegas haviam desistido de mim; minha família havia desistido de mim; Marcos havia desistido de mim; e em alguns momentos, eu fazia o mesmo”

É um conto extremamente bonito e que nos traz uma bela lição.

“— Nós somos dois garotos, eu sei. Mas tive muitos anos para entender que o amor não tem gênero”

Próxima parada — Querer é poder (Vanessa S. Marine)

Neste quarto conto, narrado por Hugo, temos a história de um garoto super tímido e apaixonado por Maristela.

“Se cada pessoa é uma poesia, Maristela é o meu poema favorito”

Mas, muito mais que se ser uma simples história de amor, temos aqui um texto sobre as escolhas que fazemos na vida, e eu adoro quando encontro algo com essa temática, pois nunca é fácil ter de decidir o caminho que queremos seguir.

“— Eu só estaria com medo se eu tivesse me condenando a um caminho que eu sei que não me fará feliz”

Próxima parada — Espelho (Mel Geve)

Esse conto arrancou boas risadas de mim, simplesmente porque começa nos apresentando Augusto, um ser que fica julgando as pessoas à sua volta no ônibus como muitas vezes, querendo ou não, acabamos fazendo, principalmente quando estamos esgotados como ele.

“A menina era com certeza um daqueles casos de gente alheia à realidade. Dispersa, perdida, turista da vida real. Ainda mais com aqueles fones de ouvido gigantescos, que impediam que os pensamentos saíssem de sua cabeça”

A pessoa com quem Augusto “encrenca” em seus julgamentos é Giuliana. Mas quando eles começam a conversar, tudo muda…

“Talvez ela fosse, sim, digna do lugar em que sentava”

Próxima parada — Juntos (Tamara Soares)

Essa é uma daquelas histórias que você lê correndo porque tem certeza que vai ter confusão e fica curioso para chegar logo nessa parte. Isso porque, logo de início, a narradora começa a contar que pegou o ônibus com o ex… Vocês já imaginam, né! E pior, ele está acompanhado de outra menina!

O conto também nos conta sobre o relacionamento deles e, caramba, que conto! Tem um ótimo plot e um final muito bonito.

Próxima parada — os cinco estágios (Marcele Cambeses)

O último conto do livro é o que considero o mais poético de todos e é um conto que também traz um casal LGBT, mas agora formado por Daniele e Manuela. E é um conto que, além de tudo, serve para, uma vez mais, amarrar as histórias anteriores.

Eu realmente gostei bastante desse livro (acho que deu para perceber…) e recomendo para todos aqueles que querem ler algo bem escrito, com leituras rápidas mas que, ao mesmo tempo, se unem e se completam.

Das autoras desse livro, as únicas que eu já conhecia algo eram a Mel (Trago seu amor em 3 dias), a Bruna Fontes (A matemática das relações humanas) e a Vanessa S. Marine, que escreveu a introdução de A matemática das relações humanas. Quanto às outras autoras, esse foi meu primeiro contato e eu adorei!

Se interessou por esses contos incríveis? Adquira seu ebook (gratuito!) aqui.

 

Citações #25

Citações #25

Quem costuma acompanhar esse blog deve ter visto que, recentemente, publiquei uma resenha do livro O retorno do jovem príncipe, e que nela eu comentei que acabei relendo O pequeno príncipe também. Depois da resenha mencionada eu ainda trouxe algumas citações da mesma obra e hoje trago a vocês citações de O pequeno príncipe (que acredito ser tão conhecido que me fez dispensar uma resenha mais detalhada).

Algo muito valorizado nessa obra universal e atemporal é o olhar da criança que, em sua inocência, é capaz de usar com muito mais força e desenvoltura sua imaginação.

“As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando”

O pequeno príncipe (p.8)

O olhar infantil com relação ao adulto é algo que consegue encantar aos leitores e, ao mesmo tempo, nos fazer refletir sobre nossos comportamentos, ações e prioridades.

“As pessoas grandes adoram números”

O pequeno príncipe (p.17)

E quando eu digo que O pequeno príncipe é atemporal eu estou dizendo que há coisas ali que poderiam ter sido escritas ontem, por qualquer pessoa mais sensível de nossa sociedade atual, uma pessoa que sinta falta de certos sentimentos e costumes.

“Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos”

O pequeno príncipe (p.68)

Mas também podemos pensar que não temos mais amigos porque, por vezes, queremos que todos sejam como nós, que façam o que fazemos, que gostem do que gostamos. Já não ouvimos mais os outros, mas somente aquilo que queremos ouvir e esperamos que tudo e todos sempre atendam às nossas expectativas.

“É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar, replicou o rei”

O pequeno príncipe (p.38)

O pequeno príncipe também toca em diversas questões inerentes ao ser humano, como vaidade, gostos e nossa felicidade ou infelicidade diante daquilo que vivemos.

” — Nunca estamos contentes onde estamos, disse o guarda-chaves”

O pequeno príncipe (p. 74)

Trata-se de um livro que nos faz refletir, ainda, sobre caminhos e sobre a necessidade de olharmos em toda a nossa volta e não somente para a frente.

” — Quando a gente anda sempre para frente, não pode mesmo ir longe…”

O pequeno príncipe (p.16)

Os trechos que trouxe aqui são apenas alguns dos que gostei em minha releitura de O pequeno príncipe. Eu seria capaz de trazer páginas inteiras dele para vocês, mas acho que é melhor cada um vivenciar a sua leitura, certo? O que vocês acham desse livro?

E se você ainda não leu O pequeno príncipe, corre para comprar o seu aqui.