Citações #26

Citações #26

Hoje é dia de trazer algumas citações que ficaram de fora da resenha de um livro maravilhoso: Guardião do Medo, da Michelle Pereira. Lembrando que, nessa obra, o protagonista, Alexander, não tem uma vida fácil e que, por isso, é um personagem extremamente amargurado.

“— Ninguém tem a vida que deseja ter, Alexander”

Mas, na resenha eu defendi o comportamento grosseiro de Alexander, e reitero minha defesa aqui: ele tem seus motivos para ser assim, e não são poucos.

“Eu vi o pior do ser humano, não posso voltar atrás”

Por outro lado, ao longo da história vamos nos deparando com personagens que são o oposto — em muitos sentidos — de Alexander.

“Eu sei que parece bobagem, mas algumas pessoas têm esse coração perseverante, esse coração que ainda acredita…”

E somente pessoas assim poderiam ser capazes de provocar alguma mudança no protagonista.

“Como eu poderia dormir depois daquela velha senhora quebrar alguma coisa dentro de mim? Porque ela quebrou algo, com certeza, e ainda não sei o que é”

E não bastasse toda a dor vivida, quando Alexander está entendendo que há certas belezas na vida, ele tem de lidar, também, com a morte.

“— Cada pessoa que amamos leva um pouco de nós quando parte”

E então…

O corpo nunca se acostuma com a dor”

Alexander também é uma pessoa amargurada porque, dentre outros motivos, sempre foi muito sozinho. Ou sempre acreditou ser muito sozinho.

“— Sempre que você vir uma estrela ou uma luz brilhar mais forte, saiba que eu estarei lá”

E tudo o que ele precisava era de alguém que lhe desse amor.

“Por todos esse anos, isso foi tudo o que precisei. Alguém para me dizer que as coisas iriam ficar bem”

Uma coisa que acabei não explicando na resenha — porque acabei não encontrando espaço para essa passagem — é o motivo pelo qual um Vórtice do Medo é tão importante, tanto para o bem quanto para o mal:

“— O medo é um sentimento poderoso, talvez mais poderoso que o amor. Porque o medo enfraquece, paralisa, mas o medo também move as pessoas”

Termino essas citações, portanto, com uma passagem muito importante, que devemos sempre ter em mente e refletir sobre:

“— Ninguém é tão bom quanto acha que é”

E se você ficou (ainda mais) interessado(a) em Guardião do Medo, adquira o seu aqui.

 

 

 

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Citações #25

Citações #25

Quem costuma acompanhar esse blog deve ter visto que, recentemente, publiquei uma resenha do livro O retorno do jovem príncipe, e que nela eu comentei que acabei relendo O pequeno príncipe também. Depois da resenha mencionada eu ainda trouxe algumas citações da mesma obra e hoje trago a vocês citações de O pequeno príncipe (que acredito ser tão conhecido que me fez dispensar uma resenha mais detalhada).

Algo muito valorizado nessa obra universal e atemporal é o olhar da criança que, em sua inocência, é capaz de usar com muito mais força e desenvoltura sua imaginação.

“As pessoas grandes não compreendem nada sozinhas, e é cansativo, para as crianças, estar toda hora explicando”

O pequeno príncipe (p.8)

O olhar infantil com relação ao adulto é algo que consegue encantar aos leitores e, ao mesmo tempo, nos fazer refletir sobre nossos comportamentos, ações e prioridades.

“As pessoas grandes adoram números”

O pequeno príncipe (p.17)

E quando eu digo que O pequeno príncipe é atemporal eu estou dizendo que há coisas ali que poderiam ter sido escritas ontem, por qualquer pessoa mais sensível de nossa sociedade atual, uma pessoa que sinta falta de certos sentimentos e costumes.

“Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos”

O pequeno príncipe (p.68)

Mas também podemos pensar que não temos mais amigos porque, por vezes, queremos que todos sejam como nós, que façam o que fazemos, que gostem do que gostamos. Já não ouvimos mais os outros, mas somente aquilo que queremos ouvir e esperamos que tudo e todos sempre atendam às nossas expectativas.

“É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar, replicou o rei”

O pequeno príncipe (p.38)

O pequeno príncipe também toca em diversas questões inerentes ao ser humano, como vaidade, gostos e nossa felicidade ou infelicidade diante daquilo que vivemos.

” — Nunca estamos contentes onde estamos, disse o guarda-chaves”

O pequeno príncipe (p. 74)

Trata-se de um livro que nos faz refletir, ainda, sobre caminhos e sobre a necessidade de olharmos em toda a nossa volta e não somente para a frente.

” — Quando a gente anda sempre para frente, não pode mesmo ir longe…”

O pequeno príncipe (p.16)

Os trechos que trouxe aqui são apenas alguns dos que gostei em minha releitura de O pequeno príncipe. Eu seria capaz de trazer páginas inteiras dele para vocês, mas acho que é melhor cada um vivenciar a sua leitura, certo? O que vocês acham desse livro?

E se você ainda não leu O pequeno príncipe, corre para comprar o seu aqui.

 

Citações #24

De repente nós

Eu escrevi uma resenha super extensa do livro De repente, nós e, ainda assim, deixei um montão de citações de fora dela. Mas hoje trago a vocês mais alguns trechos desse livro escrito por Tici Pontes e publicado em 2019, de forma independente.

Como vocês podem ver na resenha, trata-se de um romance, do jeitinho que eu gosto…

“A vida se encarregara de fazer com que nossas vidas se cruzassem. Vou deixar a cargo dela decidir como será de agora em diante”

…apesar dele quase ter arrancado meu coração algumas vezes.

“Como arrancar de dentro de nosso peito uma pessoa sem que com isso sangremos ainda mais?”

Um acidente de carro pode ser um fator determinante na vida das pessoas nele envolvidas.

“Algumas vezes nos quebramos novamente, mas sempre é tempo de reunir os cacos e tentar mais uma vez”

E também pode mudar muita coisa na vida das pessoas que se relacionam com aquelas envolvidas no acidente.

“Algumas vezes tinha a impressão de que falar não adiantaria nada. Que ninguém compreenderia o que eu sentia, pelo menos não completamente e por isso me afastava das pessoas que queriam me ajudar”

Para Owen, em De repente, nós, o acidente significou uma prisão.

“Uma vez que o ser humano é privado de sua liberdade ele passa a valorizar cada momento, cada passo, cada gesto”

Para Lucy, significou perder o amor de sua vida.

“O adeus finalmente havia chegado. Agora tudo se resumia a nada”

Mas, como tudo na vida, o livro também tem suas reviravoltas.

“Era estranhamente bizarro pensar em como a vida poderia dar tantas reviravoltas e nos mostrar opções nunca sequer levantadas”

E é através delas que a história se torna menos pesada.

“Sem perceber, sorri pensando em como um pequeno doce havia adquirido um significado tão profundo”

É muito bonito ver a forma como o livro trata dessa volta por cima na vida das pessoas, desses acasos

“Tanto eu quanto ela precisávamos de uma ruptura com o passado. E talvez fôssemos a chave para isso. Aprender com nossas dores e nossos erros”

E há, ainda, uma interessante reflexão que essa história nos deixa e com a qual encerro este post:

“Nem sempre o sentimento de culpa significa que somos, de fato, culpados de algo. Mas querendo ou não em algumas ocasiões a nossa felicidade acaba despertando questionamentos”

Se você se interessou por essa história, adquira seu ebook aqui.

Citações #23

Citações #23

Na minha resenha de O retorno do jovem príncipe (A. G. Roemmers) — publicado em 2011 pela Fontanar — eu comentei sobre o quanto os diálogos do livro nos ensinam sobre a vida. O livro é pequeno, mas cheio de passagens marcantes, muitas das quais deixei de fora da resenha e agora trago a vocês.

“As lembranças agradáveis e as experiências gratificantes podem reconfortar você em momentos de solidão e dificuldade”

O retorno do jovem príncipe (p.56)

E como pode um livro nos ensinar algo sobre a vida se ele não falar majoritariamente sobre sentimentos? Pois isso é o que não falta em O retorno do jovem príncipe. 

“O sentimento de culpa — disse eu — nos paralisa e nos impede de resolver muitos problemas”

O retorno do jovem príncipe (p.22)

Sim, aquele famoso sentimento de culpa paralisante. Mas há também o medo, o amor (ou a falta dele). Tudo abordado de maneira muito atual (ou devo dizer atemporal?)

“Percebi como agimos sob a influência do medo e da desconfiança, em vez de nos deixarmos guiar pelo amor que tantas vezes reprimimos”

O retorno do jovem príncipe (p.50)

E o que significa a falta de amor nesse livro?

“A falta de amor: isso que é o inferno”

O retorno do jovem príncipe (p.92)

Aliás, há outra consideração sobre esse sentimento que considero de grande importância e sobre a qual deveríamos refletir:

“Se os pais se esforçassem para ensinar o amor a seus filhos como se esforçam para lhes incutir disciplina, este planeta seria um lugar muito mais agradável para se viver”

O retorno do jovem príncipe (p.64)

Mas esse livro não fala apenas de amar o próximo, mas também de amor próprio. E de uma maneira muito didática.

” — Como alguém pode amar a si mesmo conhecendo as próprias imperfeições? — questionou o Jovem Príncipe.

— Da mesma forma que podemos amar os outros conhecendo as limitações deles”

O retorno do jovem príncipe (p.80)
Gostou dessas citações? Você pode encontrar esse livro aqui.

Citações #22

Citações #22

Na resenha que fiz sobre Ensinando a transgredir (bell hooks, 2017), publicado pela editora WMF, eu espero ter conseguido demonstrar o quanto gostei do livro e o quanto o considero uma leitura importante em diversos aspectos. Como muitas passagens ficaram de fora da resenha, trago-as aqui e começo destacando uma que, mesmo estando em um dos últimos ensaios, é essencial para o início deste post:

“Reconhecer que através da língua nós tocamos uns nos outros parece particularmente difícil numa sociedade que gostaria de nos fazer crer que não há dignidade na experiência da paixão, que sentir profundamente é marca de inferioridade; pois dentro do dualismo do pensamento metafísico ocidental, as ideias são sempre mais importantes que a língua” (p.233)

Tendo consciência de através da língua tocamos os outros, quero trazer neste post as citações que deixei de fora da minha resenha sobre Ensinando a transgredir para, quem sabe, conseguir não só despertar o interesse pelo livro, mas também mostrar a vocês como a educação como prática da liberdade não é algo tão complexo assim.

“A prática do diálogo é um dos meios mais simples com que nós, como professores, acadêmicos e pensadores críticos, podemos começar a cruzar as fronteiras, as barreiras que podem ou não ser erguidas pela raça, pelo gênero, pela classe social, pela reputação profissional e por um sem-número de outras diferenças”  (p.174)

A receita para a prática do diálogo é relativamente simples: criar um ambiente harmonioso e igualitário.

“Por isso, uma das responsabilidades do professor é criar um ambiente onde os alunos aprendam que, além de falar, é importante ouvir os outros com respeito” (p.201)

É importante lembrarmos que bell hooks é uma mulher negra que sabe bem o que esses dois termos significam, vivendo-os intensamente. Quando passou a estudar em um colégio misto (para brancos e negros), bell hooks pode compreender bem o preconceito racial.

“Nossa amizade de colegial não se formara porque ele era branco e eu, negra, mas porque víamos a realidade do mesmo modo” (p.40)

Mas bell hooks conseguiu superar muitas das dificuldades impostas pela vida e hoje busca demonstrar como uma excelente saída para o ensino é a educação como prática para a liberdade.

“Para educar para a liberdade, portanto, temos que desafiar e mudar o modo como todos pensam sobre os processo pedagógicos” (p.193)

Uma das maiores dificuldades nessa transformação são os próprios professores, que têm medo de sair de suas zonas de conforto e segurança.

“Sinto que uma das coisas que impedem muitos professores de questionar suas práticas pedagógicas é o medo de que ‘essa é minha identidade e não posso questioná-la'”. (p.180)

E mais do que isso, alunos e professores esquecem que essa é uma relação, acima de tudo, entre seres humanos.

“Essa é uma das tragédias da educação hoje em dia. Um monte de gente não reconhece que ser professor é estar com as pessoas” (p.222)

Mas o engessamento não parte somente dos professores ou então dos alunos, parte também das instituições em que se dão o ensino e como ele é visto pela sociedade.

“Para provar a seriedade acadêmica do professor, os alunos devem estar semimortos, silenciosos, adormecidos. Não podem estar animados, entusiasmados, fazendo comentários, querendo permanecer na sala de aula” (p.194)

Ensinando a transgredir, portanto, faz com que a gente reflita sobre esse aspectos e tantos outros. Se eu fosse falar de cada tema que aparece no livro, de cada pensamento que tive enquanto lia, eu precisaria de posts e mais posts sobre isso, porque quanto mais escrevo, mais penso nos assuntos ali abordados.

Se interessou pelo livro? Adquira o seu aqui.

Citações #21

Citações #21

Na resenha de O demônio no campanário — escrito por Michelle Pereira e lançado em 2017 de forma independente — eu comentei sobre o quanto gostei do livro e permaneci ainda alguns dias com os personagens na cabeça. Hoje, então, trago a vocês algumas das passagens que destaquei ao longo da leitura, mas que ficaram de fora da minha resenha.

Uma coisa muito interessante ao longo da história é a maneira como a Michelle fala sobre o diferente, sobre coisas que não estamos acostumados a ver.

“Ser diferente do padrão esperado pela sociedade é tido como algo errado”

Com relação à parte em que o trecho acima foi retirado, podemos pensar, inclusive, na questão do bullying. Mas Michelle também nos faz refletir sobre superação, incluindo uma personagem extremamente forte na história.

“Não é qualquer um que caminha por aí com uma estaca no peito e finge estar tudo bem, sem lamuriar ou se fazer de coitado”

Mas o que torna O demônio no campanário ainda mais interessante são os sentimentos que vão surgindo ao longo da obra.

“Aquela sensação era boa, de ter um porto seguro, de ter alguém que gostava de mim”

Mais interessante ainda era poder ver a visão do tal demônio sobre os sentimentos humanos.

“Ah! O amor e o ódio, sempre amigos inseparáveis. Sempre tornando os humanos vulneráveis…”

Não que ele também não tivesse lá seus sentimentos…

“Ela beijava-me como se o o mundo não fosse durar um minuto a mais, e eu a beijava como se ela fosse a última fêmea de qualquer espécie. Mordi seu lábio e senti o gosto doce do seu sangue em minha língua, pulsante e poderoso. Excitante”

E sem contar que Eron, o tal demônio, nos dá uma descrição simples e poderosa de Eva:

“Como poderia ser tão bela e tão poderosa? Tão frágil e tão forte?”

Por tudo isso, e por tanta coisa mais, eu recomendo fortemente a leitura desse livro. E se você estiver interessado, saiba mais aqui.

 

 

Citações #20

21 August 2014

Se você me acompanha por aqui já deve ter percebido que eu amo um bom romance e que com Quando a neve cair não foi diferente. Lançado em 2019, de forma independente, pela autora Cínthia Sampaio, o livro se mostrou uma leitura leve e recheada de sentimentos.

“Aquela felicidade de ter apenas o momento para se viver e nada mais com que se preocupar”

Ainda que seja um romance intenso, Quando a neve cair fala sobre muitas coisas mais. Um dos principais pontos do livro, por exemplo, é a amizade:

“Sinto como se tivesse falhado como sua amiga e tenho medo de que não exista nada que eu possa fazer para você me perdoar”

E mesmo quando a autora fala sobre o amor (romântico), ela lembra que a amizade é imprescindível.

“Os casais mais apaixonados eram melhores amigos antes de tudo”

Por outro lado, às vezes podemos nos sentir sozinhos mesmo em meio a muitas pessoas. Isso porque nenhuma delas, ao menos naquele momento, é capaz de aplacar a nossa dor.

“Quando estamos sofrendo, nós nos sentimos sozinhos até em uma multidão”

Existem diversos motivos pelos quais podemos sofrer e não encontrar ajuda tão facilmente, mesmo quando há pessoas nos estendendo a mão. Isso porque, antes de mais nada, precisamos confiar para aceitar que alguém nos ajude.

“Confiar o coração a outra pessoa era uma tarefa muito árdua”

Essa passagem aí de cima nos leva a outra, em que a protagonista questiona se o amor deve ser algo difícil. E lembre-se: o amor verdadeiro não deve ser difícil. Não deve doer, não deve nos deixar inseguros.

“Será que o amor deveria mesmo ser assim? Deixar-nos rodeados de inseguranças e desespero?”

Como eu disse, Quando a neve cair é um livro recheado de sentimentos. Apesar dos vários momentos alegres, há, também, muita mágoa e arrependimento ao longo das páginas (coisa que talvez já tenha ficado claro com alguns dos trechos acima…).

“Eu sabia que minhas palavras feriam, mas era a verdade. E a verdade doía”

O que eu mais gostei no livro, porém, para além de tudo o que eu já falei, foi a reflexão da autora sobre a questão do que as pessoas consideram “felicidade” para as mulheres.

“Por que as pessoas achavam que para as mulheres serem felizes precisavam necessariamente estar em um relacionamento? Por que achavam que o nosso maior sonho era ter filhos?”

Quantas vezes já não nos perguntamos isso, não é mesmo?

Mas claro que eu também amei uma passagem em que a Luíza conta sobre sua época de escola e acho que eu nem preciso explicar muito o motivo de ter gostado:

“Na verdade, o que eu mais gostava na escola era de me esconder na biblioteca e viajar nas páginas de um livro, imaginar os personagens e viver, nem que fosse por algumas horas, naquele mundo fantástico, onde poderia matar monstros, ter superpoderes, salvar vidas, lutar com espadas e salvar pessoas à beira da morte”

Mas Maria Luíza não tinha superpoderes e quase no final do livro acontece uma reviravolta e tanto. E, sem dar spoilers, termino essas citações com uma bela passagem, para que fique a reflexão:

“Como éramos pequenos naquele mundo enorme. Não importava se éramos ricos ou pobres, baixos ou altos, se tínhamos estudo ou não. Quando algo assim acontecia, não éramos ninguém”

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citações #19

Citações #19

Quem leu a resenha de Adelphos deve ter percebido o quanto amei esse livro. Escrito por M. Pattal e publicado em 2016 pela PenDragon, Adelphos é um livro de fantasia que consegue dosar muito bem ficção e realidade.

A resenha desse livro ficou bem grandinha e, ainda assim, muitas passagens ficaram de fora. Mas também, como abarcar tudo o que está contido em um livro que fala sobre amizade, justiça, humildade, perseverança e tantas coisas mais?

Por exemplo, logo no início do livro recebemos uma bela lição no quesito vingança:

“Decisões tomadas pela vingança geralmente são insensatas” (p.74)

Ou seja, não devemos nos guiar pelas “brilhantes ideias” que temos quando estamos tomados pela raiva. Ao contrário: devemos deixar que nossa cabeça esfrie e nossa mente clareie. Essa também é uma mensagem importante para a história que vemos em Adelphos e isso nos leva a outro trecho do livro:

“Se você estiver magoada com alguém, é necessário perdoá-la e não esperar que o tempo resolva as coisas. O tempo não resolve nada, quem resolve é você” (p.221)

Ah, sim, esqueci de avisar que Adelphos é tapa na cara atrás de tapa na cara!

Mas, falando em tempo…

“— Você pode possuir muito pouco ou quase nada em relação aos bens materiais, mas sempre terá o mesmo tempo que qualquer pessoa no mundo” (p.220)

Bom, a passagem acima pode ser problemática se a levarmos para o lado da meritocracia, mas não a vejo assim. A questão é que não é apenas com bem materiais que trilhamos nosso caminho. Precisamos de tempo e experiência para crescermos e isso, todos temos igualmente, mas nem todos o usam com sabedoria (alô, procrastinação). E ainda nessa linha, falando sobre tempo, outra passagem excelente:

“Ficarmos presos ao passado nos impede de viver o presente e de construir o nosso futuro” (p.337)

Somos quem somos por tudo o que vivemos, mas não podemos deixar que as coisas ruins do nosso passado afetem nossas escolhas presentes e nos impeçam de crescer. Está certo que o ser humana consegue ser bem cruel, por vezes…

“Com as pessoas é diferente. Basta uma falha com alguém para que nos descartem. E não apena isso, se não correspondemos às expectativas de alguns, já não servimos para nada, somos desprezados” (p.98)

É por isso que o mundo precisa de mais empatia e de mais humildade. A humildade, aliás, vem muito bem definida em Adelphos:

“Ser humilde é colocar o outro em primeiro lugar. Por isso condenamos o ato de diminuir as pessoas, para nós todas têm a sua importância e um propósito neste mundo” (p.149)

E a gente nunca sabe pelo que o outro está passando não é mesmo? Por falar nisso, eu comentei que Adelphos abarca muitos assuntos, certo? Pois então, na história também há muitos sentimentos. Por isso, termino esse post (que já está ficando imenso) com uma passagem belíssima, para que possamos sempre nos lembrar do poder das lágrimas:

“— As lágrimas não são nossas inimigas. Elas nos ajudam a externar nossas emoções e evitar que implodamos por dentro” (p.318)

Quer ler Adelphos? Compre aqui.

 

 

Citações #18

allegro citações

Mesmo escrevendo uma resenha imensa, deixei muitas passagens de Allegro em hip-hop de fora. O livro de Babi Dewet, lançado no Brasil em 2018, pela editora Gutenberg, mexeu muito com meu coração.

O fato da música estar sempre presente nas histórias da Babi é algo que me encanta, porque eu sempre achei que essa arte é muito importante em nossas vidas, devido ao fato de mexer com nosso emocional:

“Música tinha esse poder de reviver memórias e sentimentos que às vezes ele só queria ignorar” (p.35)

E a mistura entre música e sentimento, aliás, aparece em diversos momentos do livro:

“Tinha sido machucada recentemente, mas naquele momento ela só conseguia se lembrar do quanto amava Tchaikovsky e tudo de bom que sentia quando ouvia suas melodias” (p.247)

Os sentimentos ganham lugar de destaque nessa história, que traz como protagonista uma jovem com ansiedade.

“Aprender coreografias era fácil perto de entender seus próprios sentimentos” (p.251)

Como eu disse em minha resenha, porém, essa jovem tem a sorte de contar com pessoas incríveis, dispostas a ajudá-la. Uma dessas pessoas é Vitor:

“Vitor sempre aparecia nos piores momentos e estendia a mão para ajudá-la” (p.123)

Confesso que gostei muito dessa passagem por ter me identificado demais com ela. Meu namorado também chama Vi(c)tor e sempre me estendeu a mão nos piores momentos. Bem como nos melhores.

O Vitor de Allegro em hip-hop aliás, me lembrou muito o “meu” Victor e isso me encheu ainda mais de amor por esse livro incrível.

Mas o ponto alto de toda essa história é a lição que fica ao final:

“A vida não era sobre ser a melhor de todas. Era sobre ser feliz” (p.314)

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Citações #17

Design sem nome

Se vocês acham que a resenha de Os quase completos ficou longa, saiba que ainda deixei diversas citações de fora! O livro foi escrito por Felippe Barbosa e foi publicado em 2018, pela editora Arqueiro.

Como eu comentei em minha resenha, trata-se de um livro que fala muito sobre buscarmos nossos sonhos e nossa felicidade:

“-Bom, cada um de nós deve seguir o próprio caminho. Encontrar o próprio… País das Maravilhas”. (p.34)

E é sempre bom lembrarmos que as coisas boas da vida [alerta de clichê] nem sempre são coisas, mas podem ser pessoas! Porque é no contato humano que a gente aprende, evolui, sente:

“Há sempre pessoas em nossa vida que nos surpreendem” (p.157)

E por falar em pessoas e sentimentos, uma passagem que traz muito do que o meu namorado costuma dizer também:

“Amar alguém é demonstrar carinho, preocupação e apoio. É colocar as necessidades alheias acima das nossas” (p.244)

Como Os quase completos fala tanto sobre vida, não poderia deixar de falar sobre morte também:

“A morte é a maior certeza que nos cerca e, ao mesmo tempo, a incerteza que mais grandiosamente nos assombra” (p.199)

Mas a maior lição que fica desse livro é a de que precisamos nos conhecer e lutar contra os nossos próprios fantasmas e medos para que possamos ter uma vida saudável:

” -É engraçado descobrir que você pode ser seu pior inimigo, não é?” (p.296)

Ficou com vontade de ler esse livro? Compre na Amazon.

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